| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 9.04 MB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
«O mito, porque é imitação de acções, deve imitar as que sejam unas e
completas, e todos os acontecimentos se devem suceder em conexão tal que,
uma vez suprimido ou deslocado um deles, também se confunda ou mude a
ordem do todo». O trecho bem podia ter sido assinado por Saussure, mas é
de Aristóteles (Poét. 1451 a). A estrutura sistêmica compreende um conjunto
de ingredientes, formais e conteudísticos, ou tout se tient. As tramas sistasicamente
bem compostas, sujeitas a uma verosímil e necessária mise en intrigue,
enquadram-se num todo, numa estrutura mereolôgica compacta e ordenada
que tem princípio, meio e fim, e não devem começar nem terminar ao
acaso. Os termos desis (complicação), metábasis (mudança de fortuna),
anagnorisis (reconhecimento, e lusis (desenlace) são os operadores mereolôgicos
que se encarregam de gerir a estrutura dinâmica seqüencial. «The
impressions that succed one another, as the pages of the book are tumed, are
to be built into a structure» (Lubbock 1972: 19). A verosimilhança e a necessidade,
verdadeiros imperativos estruturais, hão-de impor a ordem. Embora
hoje saibamos perfeitamente que, de acordo com a segunda lei da termodinâmica,
num sistema fechado e isolado, a desordem, a entropia, deve
aumentar, ou pelo menos não diminuir, à medida que o tempo passa.
