| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 4.07 MB | Adobe PDF |
Orientador(es)
Resumo(s)
Esta tese leva a cabo uma clarificação conceptual e uma reconstrução histórica da
noção de conflito, tal como ela aparece na filosofia. Num primeiro momento,
analisa-se o fenómeno do conflito na fonte Grega (em Homero, Heraclito, Platão,
nas tragédias gregas e nas formas de interação agonística no espaço público) e na
filosofia moderna (principalmente em Kant, Hegel e Marx). Num segundo
momento, estabelece-se, nos seus traços gerais, uma cartografia da recuperação
desta noção na contemporaneidade através da discussão das contribuições
provenientes da teoria crítica (Habermas, Honneth, Hunyadi), da sociologia
pragmática (Boltanski, Thévenot) e da filosofia política anglo-saxónica (Rawls,
Walzer, Taylor), entre outras. Estas partes iniciais da tese desembocam numa
análise aprofundada da obra do filósofo francês Paul Ricoeur e das muitas
instanciações do conflito nessa obra, naquilo a que chamo o “percurso do conflito”
no pensamento de Ricoeur.
Neste “percurso do conflito” o objetivo é duplo: por um lado, provar que o
conflito é a pedra de toque não só da filosofia de Ricoeur, mas também de um
grande conjunto de outros autores; por outro lado, que é necessário reavaliar o
papel desta noção no debate contemporâneo e que nesse contexto a filosofia de
Ricoeur e as suas análises finas e plurais podem ser de uma grande utilidade.
Assim sendo, este “percurso do conflito” divide-se em três partes, as quais lidam
com diferentes tipos de conflito: conflitos “existenciais”, “hermenêuticos” e
“práticos”. Ao longo destas partes, várias disciplinas são chamadas à colação,
como a hermenêutica, a psicanálise e a filosofia prática (ética, filosofia política e
filosofia social), numa tentativa de esclarecer os diferentes fenómenos em causa.
Em última instância, chega-se à conclusão que o conflito é inevitável em filosofia,
tal como na vida, mas que este não é (pelo menos não em todas as suas formas e
instanciações) um fenómeno estritamente negativo; por vezes, os conflitos podem
ser criativos e positivos. Porém, aceitar este facto implica igualmente consentir
que o reconhecimento dos conflitos está intrinsecamente ligado à busca de
soluções para eles, formas de lidar com eles e torná-los criativos e positivos. Para
que possa ser compreendido, em traços gerais, como é que estes procedimentos
funcionam, esta tese elabora uma tipologia de diferentes tipos de conflito e
respetivas formas de lidar com eles, mediando-os, conciliando-os ou, nalguns
casos, apenas aceitando a sua existência e mesmo multiplicando-os. A busca da
melhor solução tem sempre de ser operada caso a caso.
Nas partes finais da tese, e partindo das análises de Ricoeur e dos outro autores
apresentadas ao longo da mesma, delineia-se o projeto de uma filosofia social
hermenêutica e argumenta-se que aquilo de que precisamos hoje em dia é de uma
nova crítica da razão, uma “crítica da razão miserável” que possa repensar o
mundo social em novos termos e que, ao fazê-lo, possa evitar os perigos do
reducionismo nas suas múltiplas formas.
Descrição
Palavras-chave
Conflito Filosofia Social Kant Ricoeur Hermenêutica
