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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A presente tese apresenta uma abordagem etnomusicológica à produção de
“música ligeira” no âmbito da Emissora Nacional de Radiodifusão, entre 1934-1949.
Analiso as principais linhas das políticas de programação levadas a cabo pelas
diferentes administrações, nomeadamente de António Joyce (1934-1935), Henrique
Galvão (1935-1940) e António Ferro (1941-1949) (Capítulos 1 e 2), e os principais
elementos discursivos utilizados, focando a atenção na organização da produção da
“música ligeira” na sua relação com as políticas culturais do Estado Novo e com as
estratégias de programação das três administrações no período em foco.
A grelha analítica e a metodologia foram construídas a partir de diferentes
perspectivas disciplinares, como a Etnomusicologia Histórica, Antropologia,
Sociologia, Estudos de Música Popular e História Contemporânea, privilegiando uma
perspectiva interdisciplinar que permitiu uma abordagem ampla ao objecto de estudo.
Neste sentido, a investigação permitiu problematizar o processo de institucionalização
da “música ligeira” na EN através de uma análise às diferentes componentes envolvidas
na produção musical, nomeadamente as orquestras (Capítulo 3), a composição (Capítulo
4 e 5), os cantores (Capítulo 6), revelando a sua organização, interligação, e
interdependência. A produção de “música ligeira” foi determinante na orgânica
institucional através da promoção de concursos, prémios e de novas estruturas durante a
administração de António Ferro. Aprofundei a actividade do Gabinete de Estudos
Musicais, fundado em 1942 por ímpeto de António Ferro e Pedro do Prado, cuja terceira
secção se dedicou ao processo de “aportuguesamento” da “música ligeira”, ou seja, ao
arranjo de melodias de matriz rural, ou à composição de originais inspirados em géneros
coreográficos associados ao universo do “folclore” (p. ex.: vira, corridinho) adaptados
para as orquestras e cantores da EN. A análise deste processo foi efectuada tendo em
conta as políticas de folclorização e de “aportuguesamento” empreendidas pelo
SPN/SNI liderado por António Ferro no quadro da sua matriz ideológica nacionalista no
quadro da modernidade que preconizava.
A análise dos dados permitiu ainda concluir que não foram alheias a este
processo as influências dos géneros musicais divulgados pelas indústrias transnacionais
da música, como o Swing, o Tango, o Bolero, e dos seus modelos performativos, como
evidenciado pela visibilidade alcançada pelas “vedetas” da rádio. O estudo do processo
de construção de uma “vedeta” no âmbito radiofónico através do caso específico das
Irmãs Meireles permite ilustrar as premissas anteriores, no modo como se
internacionalizaram e levaram além-fronteiras o projecto de “aportuguesamento”
delineado por António Ferro.
Partindo de uma perspectiva relacional, foi também possível cruzar as políticas
de programação e de produção musical da EN com outras instituições do Estado Novo,
realçando as políticas interinstitucionais através do caso paradigmático da colaboração
com a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho e do programa radiofónico Serões
para Trabalhadores lançado em conjunto com a EN (Capítulo 7), central como meio
para a endoutrinação dos operários, mas constituindo igualmente um dos principais
destinatários da produção de “música ligeira” da rádio oficial do Estado Novo.
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do
grau de Doutor em Ciências Musicais – ramo Etnomusicologia
Palavras-chave
Emissora Nacional de Radiodifusão Música Ligeira Produção Musical Programação Musical Nacionalismo Aportuguesamento Estado Novo
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
