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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Esta dissertação pretende analisar o impacto da «questão das subsistência» no
Algarve durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), tendo como principal acervo
documental a correspondência (ofícios, telegramas, cartas e outros documentos), do e
para o Governo Civil de Faro, com diferentes ministérios, designadamente aqueles que
mais directamente geriram a problemática das subsistências, e com outras entidades
nacionais, regionais e locais, depositado no Arquivo Distrital de Faro. Esta
documentação traça-nos literalmente, o dia-a-dia da escassez e mesmo da falta de
subsistências que a província tanto carecia e dos vários entraves colocados à sua
aquisição. Para além deste, consultámos os arquivos de Lagos, Portimão, Loulé, Olhão e
Tavira, que nos fornecem uma imagem impressiva sobre aqueles concelhos. Outra fonte
importante foi imprensa, quer a de âmbito nacional, quer, essencialmente, a regional.
Analisou-se a evolução demográfica e o estado das vias de comunicação, assim
como a estrutura económica do Algarve (agricultura, pescas e indústria), no momento
do deflagrar do conflito, tentando evidenciar as suas potencialidades e as suas
debilidades, assim como o impacto da proclamação da República na província.
Debruçou-se fundamentalmente sobre a escassez dos principais géneros,
elaborando uma «geografia da fome» na província, as principais actividades ilícitas
(açambarcamento e contrabando) que acompanharam aquelas e os mecanismos de
intervenção económica implementados pelo Estado (tabelamento dos preços,
manifestos, arrolamentos, guias de trânsito e requisições de géneros).
Embora escassos os elementos encontrados acerca dos salários, tentou-se
mostrar a sua evolução em algumas camadas socioprofissionais algarvias e o impacto
do constante aumentos dos preços dos principais géneros consumidas pelas populações.
Para estes últimos, elaborou-se um conjunto de quadros e de gráficos, evidenciando a
sua imparável ascensão, com reflexos negativos no poder de compra de largos estratos
sociais da província.
Visto que a fome bateu à porta de muitos lares e o grito de revolta soaria em
muitos lugarejos e localidade, traçou-se a geografia regional dos conflitos sociais que
eclodiram, cobrindo praticamente todas as actividades a que se dedicava o mundo do
trabalho algarvio. Conflitos que se expressaram através de manifestações, assaltos,
motins, revoltas e greves. As populações rurais e urbanas protagonizaram forte
contestação às dificuldades do seu viver quotidiano.
Destacou-se o fenómeno meteórico do sidonismo no Algarve: a sua implantação
no Algarve, o seu modelo económico e, com especial incidência, a sua intervenção na
questão das subsistências (celeiros municipais, estrutura organizativa das mesmas,
racionamento), e o impacto da greve geral de 18 de Novembro de 1918, em resultado do
agravamento da situação económica e social. Na preparação e eclosão daquela greve, o
movimento operário algarvio participou activamente.
Finalmente, pelo seu impacto nas vivências das populações do Algarve,
analisou-se a extensão da «gripe espanhola» e os escassos meios para a combater, que,
num breve lapso de tempo, ceifaria tantas vidas.
Descrição
Palavras-chave
Custo de vida Açambarcamento Greves Fome Subsistências Algarve Pneumónica
