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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Ao tentarmos compreender o sentido e o nexo das representações
artísticas dos homens do Paleolítico superior europeu, somos
conduzidos a uma situação paradoxal : dispomos de documentos
numerosos e preciosos (mais de trezentos locais-santuários até hoje
descobertos, contendo dezenas de milhares de figurações), sobre os
quais, contudo, qualquer interpretação é conjectural e qualquer teoria
unificadora carece, em última análise, de fundamento e prova.
O que está em jogo é a compreensão do que os nossos antepassados
aceitavam ser a relação com as origens, o mundo, os animais, a
morte, as entidades sobrenaturais e o destino ; ou dito de outro modo,
a hermenêutica precária destinada a decifrar os primeiros mitos da
humanidade - ou pelo menos os primeiros sistemas míticos dos quais
há registo gráfico.
Ora, esta s constelações mitológicas desenvol vem-se ao longo de
mais de vinte milénios (de correm vinte e dois mil anos entre as orna mentações
impostas à "grotte Ch au vet" , datada em cerca de 3 1.000
anos, e à caverna de Gouy), e prolongam-se por uma extensão que vai
desde a gruta do Escoural , perto de Évora, até às cavernas Kapova e
Ignatiev, nos Urais - ou , se atendermos à componente mobiliária da
arte paleolítica do Ocidente, até Malta e outras jazidas arqueológicas da Sibéria central.
