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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Em 2002, comecei a gravar música popular portuguesa no terreno, para,
em seguida, estudar mais profundamente as danças de paus, de espadas e as
danças mouriscas portuguesas a Norte do rio Douro. • Actualmente, concentro-
me no Baile dos Ferreiros da procissão do Corpo de Deus, de Penafiel, a
Dança dos Mourisqueiros e dos Bugios da festa de S. João Baptista, de
Sobrado e a Dança do Rei David da festa de S. João de Braga. Os dois complexos
festivos em que estas danças se inserem são, portanto, o Corpo de
Deus e o S. João - festas religiosas com grande importância em Portugal. Os
critérios para a selecção destes complexos festivos são as danças dramáticas
que neles se encontram e, sobretudo, encontraram.
Em primeiro lugar, analiso até que ponto se trata, nestas danças dramáticas,
de "danças mouriscas", um gênero de dança pan-europeu, e vejo, além
disso, até que ponto se encontra nelas uma representação do "mouro". O
termo "mouro" é, no meu estudo, categórico para "o infiel, o marginalizado
e/ou o louco", e o termo "dança mourisca", utilizo como categoria de manifestações
teatrais, coreográficas e festivas em que os mouros são representados.
Estas categorias servem-me aqui para uma reflexão sobre a memória
colectiva em complexos festivos, principalmente a memória colectiva rehgiosa
que une em si diferentes memórias. Mostro também a manipulação da
memória e a invenção da tradição, assim como factores de resistência da
memória. Além disso, explico, principalmente em teoria, o efeito ou poder
dos ritos comemorativos, aos quais pertencem as representações dramáticas
estudadas. Não me concentro apenas na representação do "mouro" nas danças,
mas discuto também o quadro religioso em que estas representações se
manifestam, em primeiro lugar, a procissão do Corpo de Deus.
