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As Fontes Manuscritas da Missa Piquena de Marcos António Portugal

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Marcos António da Fonseca Portugal (1762-1830) foi um dos compositores luso-brasileiros mais prolíficos e influentes de sempre. A sua produção dramática teve uma projecção internacional sem precedentes na história da música luso-brasileira e a sua produção religiosa, que acompanhou toda a sua carreira, inclui várias obras que tiveram grande disseminação e continuaram a ser interpretadas até ao séc. XX. Entre elas, encontra-se a Missa Piquena (MarP 01.15), cuja disseminação em Portugal foi singular, no que concerne à produção religiosa do compositor. Até à elaboração do presente estudo, toda a informação existente sobre a Missa Piquena estava patente no catálogo temático da obra religiosa de Marcos Portugal, da autoria de António Jorge Marques (2012): composição de origem e data incertas, contabilizando três versões, duas delas com instrumentação alargada. Pesquisas posteriores, que abrangeram o levantamento, recolha fotográfica e análise comparativa dos 25 espécimes conhecidos da obra — distribuídos por vários arquivos dispersos pelo território nacional —, permitiram determinar o ano provável da composição, a instituição para a qual foi possivelmente produzida, a datação e registo da sua cronologia, os vários intervenientes na elaboração dos espécimes e, ainda, a possível existência de uma quarta versão. Esta comunicação pretende realçar a importância do levantamento e cruzamento sistemático de elementos textuais musicais — como padrões melódicos nas linhas vocais, elementos caligráficos e a ausência de compassos no andamento Agnus Dei — que se interrelacionam nas várias cópias manuscritas. A comparação de tais elementos permitiu elaborar uma proposta de estema para a disseminação e longevidade da obra. Adicionalmente, a análise dos dados recolhidos permitiu formular a hipótese de a Missa Piquena ter sido composta para a Santa Igreja da Patriarcal e de as fontes manuscritas terem emanado do Real Seminário da Patriarcal para outras instituições, como a Capela Real de Vila Viçosa, o Mosteiro de Santa Maria de Chelas, a Sé de Évora e o Convento de Nossa Senhora do Paraíso de Évora.

Descrição

UIDB/00472/2020 UIDP/00472/2020

Palavras-chave

Marcos Portugal Música litúrgica (séc. XVIII e séc. XIX) Filologia musical Crítica de fontes Santa Igreja Patriarcal

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