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Resumo(s)

O século XIX assistiu à vulgarização da escrita de correspondência e de diários por parte das elites europeias, com maior acesso à cultura escrita e à ociosidade, elementos distintivos destes grupos sociais. O estudo dos arquivos de família em Portugal realçou a existência destas tipologias documentais. A sua análise é ainda incipiente na perspectiva histórica, sobretudo as de autoria feminina, essenciais para aprofundar os conhecimentos relativos à história das mulheres por permitir dar voz, na primeira pessoa, a este grupo, frequentemente omisso nas fontes oficiais, por ter estado tradicionalmente confinado à esfera privada e doméstica. Pela sua raridade no panorama nacional, urge por isso analisar um dos poucos exemplos de diários femininos existentes, nomeadamente o da condessa de Murça e de Sabugosa, D. Mariana das Dores de Melo (1856-1952), à guarda do arquivo privado Sabugosa e São Lourenço. Dama camarista da rainha D. Amélia, dedicou-se, entre os seus 39 e 47 anos à escrita deste diário, onde o seu percurso individual se mistura com os acontecimentos conturbados da fase final da monarquia constitucional portuguesa, da viragem do século XIX para o século XX, dando a conhecer o quotidiano e intimidade do grupo social no qual se insere e do qual se assume como uma observadora privilegiada e perspicaz.

Descrição

UIDB/04209/2020 UIDP/04209/2020

Palavras-chave

Aristocracy Egodocuments Portugal History Self-writing Diaries Women History Women Writers Agency Queenship History Literature and Literary Theory Gender Studies Education Library and Information Sciences SDG 5 - Gender Equality

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Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada

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