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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Se há conjunção fatal, é entre guerra e ciência, em nome dos imperativos
da defesa nacional. É hoje um dado adquirido que a Segunda Guerra
Mundial foi tão extraordinariamente produtiva no campo científico, quanto
inumana, da biomedicina criminosa nazi à física atômica norte-americana.
Muitas das aplicações técnicas com que actualmente convivemos de forma
pacífica, na maior candura e na maior inocência, tiveram origem em investigação
fundamental e aplicada desenvolvida no decurso da Segunda Guerra
Mundial por ambas as partes em conflito. De resto, apudenda origo da Big
Science que hoje nos é tão familiar, há que encontrá-la nos grandes projectos
de investigação científica empreendida e apoiada pelos Estados beligerantes
no decurso do conflito mundial e que a Guerra Fria mais não faz do que
prolongar. Somos herdeiros de uma ciência prosseguida em nome da razão
de Estado e dos superiores interesses da defesa nacional, inteiramente subordinada
a fins bélicos, invocados quer pelos Aliados, quer pelo Eixo. Conhecem-
se abundantes exemplos disso, do radar aos antibióticos e à energia
nuclear, desenvolvidos do lado Aliado. Menos conhecidos, mas decerto que
incomparavelmente mais inquietantes, são alguns frutos da experimentação
médica levada a cabo no mundo concentracionário nazi, cujos resultados
foram aproveitados pela ciência posterior.
