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Autores
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Resumo(s)
Este artigo versa sobre um dos fenómenos que marcou a vaga repressiva da Inquisição na vila de Loulé nos anos 30 do século XVII: as dúvidas recorrentes sobre a qualidade de sangue dos réus presos por culpas de judaísmo. São significativos os casos de processados absolvidos após terem conseguido provar a “limpeza de sangue”. Entre esses réus, encontramos indivíduos pertencentes aos mais altos estratos sociais da vila. As alegações da existência de uma conspiração cristã-nova contra as elites cristãs-velhas locais exprimem uma situação de conflito social instigado pela ameaça inquisitorial, mas que, em simultâneo, também se serve do poder repressivo do próprio tribunal para dar seguimento a rivalidades e vindictas pessoais. Por outro lado, tais equívocos sobre a qualidade de sangue dos réus evidenciam uma sociedade onde os fortes laços de parentesco entre cristãos-novos e cristãos-velhos desafiam qualquer interpretação binominal de uma sociedade dividida. É na alta complexidade destas relações que o caso de Loulé se revela especialmente aliciante para convidar à problematização do impacto da actividade inquisitorial nas dinâmicas sociais locais.
Descrição
UIDB/04666/2020 UIDP/04666/2020
Palavras-chave
New Christians Algarve Cristãos-Novos Inquisition Inquisição Limpeza de sangue purity of blood Sociabilidades Social relations
Contexto Educativo
Citação
Editora
Câmara Municipal de Loulé - Arquivo Municipal
