| Nome: | Descrição: | Tamanho: | Formato: | |
|---|---|---|---|---|
| 1.31 MB | Adobe PDF |
Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Os anos de transição da primeira para a segunda décadas do século XXI constituíram um período de severa crise económico-financeira com consequências sociais desastrosas. Simultaneamente, aproximavam-se as celebrações do quadragésimo aniversário da Revolução dos Cravos. As crises constituem oportunidades para momentos de inquirições, sobretudo, por quem o 25 de abril constitui o ano zero da democracia portuguesa. A presente comunicação discute alguns filmes de realizadores nascidos após a revolução, como as curtas-metragens O voo da papoila, de Nuno Portugal (2011), Caça-Revoluções, de Margarida Rêgo (2013) e as longas-metragens Águas Mil, de Ivo Ferreira (2011) e Linha Vermelha, de José Filipe Costa (2012), defendendo que neles o olhar do realizador é um olhar inquiridor sobre o passado e descrente em certezas e memórias oficiais. As interrogações partem de fotografias, cartas, documentos e narrações sobre a revolução, sendo que o fio exegético que une as imagens desenrola-se, desconstruindo certezas e, sobretudo, as tensões que o conceito absoluto de “verdade oficial” produz em termos políticos e sociais conforme, de resto, demonstrado na investigação académica de Loff, Piedade e Soutelo (2015) e Godinho (2014), entre outros. A presente comunicação reflete igualmente como o olhar desconstrutor presente nos filmes realizados nestes anos acompanha exercícios semelhantes, presentes em romances publicados nesta altura, como O verdadeiro ator, de Jacinto Lucas Pires (2011), sugerindo uma conformidade de disposições e de olhares que, não obstante serem predominantemente de uma mesma geração, a ela não se limita.
Descrição
UIDB/04666/2020
UIDP/04666/2020
