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A música sinfónica e a luta política em Lisboa na década de 1910
Publication . Santos, Luís M.; Departamento de Ciências Musicais (DCM); Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM - NOVA FCSH)
No rescaldo do 5 de Outubro de 1910, várias foram as instituições da vida cultural lisboeta que experimentaram o impacto do processo revolucionário. O Teatro de São Carlos, histórico baluarte monárquico, de imediato se viu envolvido numa situação de impasse ditada por vários factores, não pouco pelas divergências entre diferentes facções do regime relativamente à sua função. Em sentido contrário, o recém-designado Teatro da República evidenciou desde logo um novo fôlego na sua actividade, a que não terá sido alheia a aproximação mútua entre a respectiva empresa e uma determinada ala republicana. Foi no seu âmbito que, em finais de 1911, foi lançada a Orquestra Sinfónica Portuguesa, um agrupamento que se destaca na história cultural portuguesa como a primeira orquestra permanente de concertos públicos bem-sucedida, cuja actividade se manteria com regularidade até à sua dissolução em 1928. Entretanto, ainda em finais de 1913 era fundado o Teatro Politeama, cuja actividade parece desde o início ter contado com o apoio de uma área política alargada oposta à anterior. O novo espaço incluía igualmente a iniciativa de uma orquestra sinfónica, que aí se apresentou regularmente em concertos públicos até 1925, tendo dado origem a um interessante fenómeno de concorrência empresarial em que não deixava de se observar também uma importante dimensão de controvérsia política. Conquanto se careça ainda de um olhar global sobre a actividade desenvolvida por estes (e outros) teatros lisboetas da época, um exame preliminar da sua programação teatral, musico-teatral e sinfónica sugere que terão estado envolvidos na luta pela dominação simbólica em curso e que nela terão desempenhado um papel que importa conhecer. É precisamente esta questão que a presente comunicação se propõe abordar, focando-se na análise da programação praticada pelas orquestras do República e do Politeama durante a década de 1910 e dando ênfase em particular à sua relação metafórica com o turbulento contexto político em que esses empreendimentos se enquadravam, no sentido de averiguar em que medida esta actividade sinfónica serviu a legitimação e a crítica de determinadas posições politico-ideológicas.
O impacto dos concertos sinfónicos na actividade musical de cinemas e agremiações amadoras na Lisboa dos anos 10
Publication . Santos, Luís M.; Departamento de Ciências Musicais (DCM); Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM - NOVA FCSH)
Na década de 1910, Lisboa testemunhou um florescimento sem precedentes do interesse pelos concertos sinfónicos públicos há muito ambicionados pelo núcleo de elite da vida musical da cidade. No final de 1911, no então Teatro da República, foi estabelecida uma série de concertos por uma orquestra regida por Pedro Blanch, a qual manteria a sua actividade em séries anuais sucessivas até à sua dissolução em 1928. Destacou-se igualmente a série anual que se desenrolou a partir de 1913 no Teatro Politeama, dirigida numa primeira fase, até 1918, por David de Sousa. Este movimento orquestral exerceu, por diversas razões, uma influência determinante sobre a vida musical lisboeta. É interessante constatar, por exemplo, o modo como esse modelo foi emulado por vários dos principais animatógrafos que então medravam em Lisboa, no âmbito de uma prática de música instrumental que se assumia como um elemento central da sua estratégia de programação. Para além disso, o modelo dos concertos sinfónicos públicos seria também assimilado pelas práticas de lazer desenvolvidas por um conjunto diversificado de agremiações de amadores, desde os mais destacados clubes burgueses até às tunas adstritas a determinadas categorias socio-profissionais na fronteira entre a pequena burguesia e o operariado. A presente comunicação propõe-se justamente abordar este quadro, tendo em consideração tanto o contexto do desenvolvimento das indústrias culturais no espaço urbano da capital, como o do intenso florescimento do movimento associativo que se verificou por esta altura, no sentido de conhecer o lugar da música instrumental nos circuitos mercantis da vida cultural da capital, bem como o papel que não deixou de assumir no processo de afirmação da sociedade civil a que assistiram os anos da Primeira República.
O exercício da profissão musical em Lisboa na década de 1920
Publication . Santos, Luís M.; Departamento de Ciências Musicais (DCM); Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM - NOVA FCSH)
Na viragem para a década de 20, beneficiando da retoma optimista que se observou após a Grande Guerra, a vida musical lisboeta, que na década anterior tinha testemunhado um florescimento sem precedentes do interesse pelos concertos sinfónicos públicos, assistia a uma nova e vigorosa vaga de desenvolvimento, o que proporcionou a concretização de diversas iniciativas de relevo no domínio musical. Foi neste contexto, marcado pela polarização concorrencial entre os empreendimentos sinfónicos estabelecidos — nomeadamente aqueles albergados pelo Teatro da República e pelo Teatro Politeama —, que se verificou o surgimento de duas tentativas sérias, mas efémeras, de rompimento com práticas e interesses instalados, a vários níveis. Em Junho de 1923 estreava-se, sob a regência de Francisco de Lacerda, a nova Filarmonia de Lisboa, uma iniciativa cujo rápido malogro foi envolto numa polémica seguida de perto pela imprensa. Pouco depois, na sequência de questões laborais que se arrastavam — a relação entre os membros das orquestras e os empresários teatrais há muito eram problemáticas —, os músicos mobilizavam-se no sentido de avançar com um empreendimento sinfónico autónomo — a Sociedade Portuguesa de Concertos Sinfónicos —, a qual lograria realizar apenas cinco concertos no início da temporada 1925/26, sob a direcção de Emil Cooper e de Joaquim Fernandes Fão. É justamente este quadro que esta comunicação se propõe abordar, procurando esclarecer, de um ponto de vista histórico, as circunstâncias do percurso efémero de ambas as iniciativas, e dando ênfase em particular às implicações do sistema concorrencial vigente na organização da vida musical, bem como à controversa relação entre músicos e empresários, uma apreciação que permitirá descortinar dados relevantes sobre as condições do exercício da profissão musical na Lisboa dos anos 20.
A programação dos concertos sinfónicos dirigidos por David de Sousa no Teatro Politeama (1913-1918)
Publication . Santos, Luís M.; Departamento de Ciências Musicais (DCM); Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM - NOVA FCSH)
Nas décadas de 1910 e 1920, Lisboa testemunhou um florescimento sem precedentes do interesse pelos concertos sinfónicos públicos. No final de 1911, no então Teatro da República, foi estabelecida uma série de concertos por uma orquestra regida por Pedro Blanch. Entre algumas outras tentativas efémeras, destacou-se igualmente a série anual que se desenrolou a partir de 1913 no Teatro Politeama, dirigida inicialmente por David de Sousa, e após a morte deste por Viana da Mota e Joaquim Fernandes Fão. Estas séries de concertos parecem ter desempenhado um papel importante na ampliação do repertório sinfónico conhecido em Portugal, num período em que estava em curso um processo de mudança na vida musical. A presente comunicação considera a actividade desenvolvida pela orquestra sinfónica do Teatro Politeama sob a regência de David de Sousa (1913-1918), focando-se na análise da programação praticada, inserindo-a no âmbito de um discurso mais alargado sobre a música sinfónica e enquadrando-a num contexto político turbulento que parece ter tido implicações importantes no campo cultural. Pretende-se identificar as práticas e modelos promovidos, bem como explorar os mecanismos discursivos envolvidos neste processo, e, finalmente, conhecer alguns dos usos políticos da música sinfónica nos primeiros anos da República.

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Fundação para a Ciência e a Tecnologia

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3599-PPCDT

Número da atribuição

PTDC/ART-PER/32624/2017

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