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Arquitectura Prisional Portuguesa: forma, experiência e representação do espaço. O Estabelecimento Prisional de Monsanto
Publication . Carrolo, Mariana Correia; Cabral, Manuel Villaverde Morais
O Estabelecimento Prisional de Monsanto (EPM) é uma prisão masculina, de máxima segurança, em Lisboa. O edifício onde se situa a prisão foi construído em 1879, de acordo com um projecto de cariz militar para o então designado Forte Marquês Sá da Bandeira, cujo objectivo era a defesa da cidade. As características formais do edifício e o regime disciplinar presentes no EPM suscitaram a sua associação à proposta panóptica de Jeremy Bentham (1748-1832).
De acordo com o contexto histórico subjacente ao edifício e a singularidade do espaço prisional, esta tese propôs-se compreender o EPM como espaço de reclusão máxima e também como lugar de experiências prisionais específicas, enquanto objecto holístico. Na tese, recorremos à combinação de duas estratégias de estudo:
- a primeira consistiu numa abordagem à escala do edifício, uma leitura do objecto orientada do exterior para o interior, recorrendo a fontes históricas, projectuais e documentais que visam compreender o edifício e as características dessa prisão no seu contexto histórico, social e arquitectónico próprio.
- a segunda visou a escala do corpo para abordar a dimensão humana dos seus “ocupantes” [os reclusos] e considerar a participação do seu corpo e da sua experiência pessoal, no Estabelecimento Prisional de Monsanto, através de registos orais e desenhados – os exercícios de representação do espaço prisional sobre o percepcionado e o vivido –, elaborados no conjunto dos cursos de Artes Criativas entre 2007 e 2011.
A partir da vocação artística e relacional dos desenhos sobre o espaço prisional, conceptualizaram-se as ressonâncias desse espaço e dessa experiência, latentes nos produtos fragmento, projectando os códigos artísticos dessas representações. Do cruzamento e da relação de simultaneidade entre os fragmentos significativos e as outras formas de arte contemporânea procuraram-se os vestígios, atentos à impressão do gesto e do movimento quotidiano dos corpos, encetados pelos reclusos do Estabelecimento Prisional de Monsanto. Como resultado, a colectânea de desenhos está por via da participação, tanto pela sua recepção, quanto pelo agenciamento com outras imagens artísticas, organizada segundo uma escrita visual – como uma constelação.
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SFRH
Número da atribuição
SFRH/BD/60625/2009
