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Projeto de investigação
TRANSIÇÕES POLÍTICAS E DEMOCRATIZAÇÃO EM ÁFRICA: CABO VERDE E A GUINÉ-BISSAU EM PERSPECTIVA COMPARADA
Financiador
Autores
Publicações
Sociedade Civil, Estado e Qualidade da Democracia em África: entre a Letargia Cívica e a Omnipresença do Leviathã
Publication . Costa, Suzano Ferreira; Sarmento, Cristina Montalvão; Fernandes, Tiago Roma
A presente pesquisa intenta perscrutar, numa perspectiva longitudinal e comparativa, as
inextrincáveis imbricações entre a institucionalização da sociedade civil e a qualidade da
democracia na África pós-colonial, cotejando em que medida os legados institucionais
da dominação colonial e as conjunturas críticas inerentes às independências nacionais e
à democratização condicionaram as estruturas de oportunidades políticas, afectaram os
repertórios de acção colectiva e cristalizaram dependências de trajectórias nos processos
de consolidação democrática, contribuindo, antes, para uma paradigmática transição da
foucaultiana sociedade disciplinar para a deleuziana sociedade de controlo. Advoga-se,
entre a letargia cívica e a omnipresença do leviathã, a hipótese na qual a sociedade civil
africana nunca conseguiu obstaculizar as ambições hegemónicas dum Estado predatório
e omnipresente, nem tão-pouco emancipar-se politicamente dos espartilhos partidários,
quedando-se estruturalmente atrelada a uma posição subalterna e subserviente às suas
agências burocráticas e às suas tecnologias políticas de dominação.
Essas estratégias de letargização cívica e de despolitização do seu repertório de protesto,
encetadas desde a institucionalização do regime autoritário até o advento da democracia
multipartidária, inviabilizaram a irrupção de uma sociedade civil emancipatória, contrahegemónica
e contestatária e contribuíram para que os partidos políticos se tornassem
omnipotentes na esfera estatal, transfigurando o aparelho de Estado no seu “património
sazonal”, e omnipresentes na sociedade civil, mantendo com esta uma relação caciquista e
clientelar. Intenta-se, ainda, dessacralizar as narrativas hegemónicas e homogeneizantes
sobre a construção dos Estados e a institucionalização da sociedade civil em África que
tendem, assentes em valorações apriorísticas e em justificações estereotipadas, a vincular
o colapso dos Estados pós-coloniais e a inviabilização do projecto democrático em África
aos atavismos históricos e aos legados institucionais da situação colonial, mas, também,
a ignorar as virtualidades democráticas e as possibilidades emancipatórias encapsuladas
nas formas endógenas de engenharia social e de superação da crise forjadas pelas classes
populares. Em suma, mais do que perscrutar se as conjunturas críticas de efervescência
cívica e de ebulição participativa, pretéritas às independências nacionais e às transições
democráticas, produziram inovações organizacionais e soluções institucionais tendentes
à autonomização cívica e à democratização da esfera pública, intenta-se desconstruir, a
partir de realidades periféricas, as noções hegemónicas de governabilidade democrática,
desenvolvimento participativo e reconstrução pós-crise.
Unidades organizacionais
Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
Número da atribuição
SFRH/BD/71325/2010
