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Projeto de investigação
Glocal feminist movements: interactions and contradictions
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Interseccionalidade e Ciberfeminismo
Publication . Lamartine, Camila; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA)
Os movimentos feministas contemporâneos surgem numa escala global e com reflexões também a nível local, assumindo assim uma clara dimensão transnacional a partir das manifestações de rua e do ativismo digital feminista — o ciberfeminismo. Recorrendo a narrativa de ondas, a quarta onda feminista se caracteriza, especialmente, por emergir do ciberespaço, vindo a garantir aos feminismos, portanto, um carácter diverso e plural na reinvindicação de maior inclusão das diferenças, enfatizando a interseccionalidade. Dessa forma, é objetivo deste estudo tentar perceber a construção desses feminismos através do ciberfeminismo e sua relação com a interseccionalidade, mecanismo teóricometodológico fundamental para todo ativismo contemporâneo. Recorremos a uma abordagem qualitativa pautada no levantamento bibliográfico, além de casos práticos da ação ciberfeministas que irromperam o ciberespaço. Defendemos que esta nova vaga feminista tem a interseccionalidade como pilar constitutivo, consolidando o ciberfeminismo como uma potência de atuação coletiva e conectada, transnacional e preocupada com a inclusão de diversas representações identitárias.
Communicating through Cyberfeminism
Publication . Lamartine, Camila; Cerqueira, Carla; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA); MDPI - Multidisciplinary Digital Publishing Institute
Despite the considerable attention given to how mainstream media portrays feminism and social movements, there remains a notable research gap regarding the exploration of how these movements themselves engage in internal articulation and employ communication strategies to connect with their publics. To examine communications practices of cyberfeminists within the fourth wave of feminism and the 8M movement (feminist strike), this study analyzes the communication platforms utilized by Rede 8 de Março, which mobilizes the strike in Portugal in three dimensions: (1) institutional and internal communication; (2) content production for online dissemination on digital platforms; and (3) mobilization strategies and action repertoires. Specifically, we focus on the years 2020 and 2021, considering the pandemic context, using a combination of netnography and semi-structured interviews with organizing activists. Our findings indicate a significant rise in Instagram’s platform utilization and exploration, concomitant with the establishment of WhatsApp as a central tool for both organizational and internal communication. These observations enhance our scholarly grasp of the intricate communication dynamics inherent in these organizational contexts and feminist movements, thereby offering significant contributions to our understanding of its operational mechanisms.
Ciberespaço, Feminismos e Interseccionalidade: O Movimento 8M entre Portugal e Brasil
Publication . Barbosa, Camila Lamartine Mariz; Silva, Marisa Rodrigues Pinto Torres da
Embora existam estudos sobre os feminismos e comunicação nos média tradicionais, a
compreensão de como os movimentos feministas articulam sua comunicação interna e se
conectam com seus públicos no ambiente digital é limitada, em particular, falta uma
exploração comparativa da dinâmica ciberfeminista em diferentes contextos culturais, o
que buscamos aqui colmatar. Para além disto, intentamos preencher uma lacuna
significativa na literatura acerca da quarta vaga do movimento feminista, especialmente
no contexto das redes sociais digitais. Portanto, esta investigação analisa a relação entre
a interseccionalidade e a quarta vaga dos feminismos a partir das redes sociais digitais em
diferentes contextos lusófonos, nomeadamente Portugal e Brasil, com foco no movimento
transnacional 8M, frente de greve feminista internacional que se caracteriza como um dos
principais movimentos dos feminismos contemporâneos. Nosso principal objetivo é
compreender como a interseccionalidade está presente na construção de um movimento
feminista plural sob cognição do ciberfeminismo, através da análise comparativa
netnográfica das páginas de Instagram dos coletivos que organizam o 8M em ambos os
países, entre os anos de 2021 e 2022, também considerando a pandemia de Covid-19.
Atentando aos conceitos de conhecimento situado e lugar de fala, realizamos entrevistas
com ativistas feministas a fim, ainda, de garantir visibilidade às vozes marginalizadas.
Destacam-se como resultados mais relevantes: a consolidação do Instagram como
principal plataforma utilizada pelas feministas; o WhatsApp como ferramenta prática de
comunicação em ambos os países, ainda que se identifique um baixo nível de
engajamento digital; a falta de comunicação direta entre os coletivos dos dois países,
embora Portugal destaque o movimento feminista brasileiro, possivelmente pela conexão
migratória. Em termos de temáticas, ainda que o 8M seja central em ambos os países, na
página brasileira as discussões giram mais em torno de questões políticas, enquanto em
Portugal o transfeminismo ganha destaque. As mulheres brancas se revelaram a
identidade mais representada, enquanto as mulheres lésbicas são quase invisíveis nos
conteúdos analisados. Constatamos que há uma discrepância na aplicação prática da
interseccionalidade que, mesmo mencionada frequentemente, é aplicada de forma
limitada, destacando o impacto da branquitude como sistema de dominação dentro do
próprio movimento feminista. Assim, a principal contribuição desta tese está na crítica à
branquitude nos feminismos, na proposta de uma abordagem interseccional situada como
base fundamental à quarta vaga no âmbito do ciberfeminismo e na revitalização da noção
de subalternidade a partir das vozes menos representadas, conceito que intitulamos
Feminismos Marginalizados.
Unidades organizacionais
Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
3599-PPCDT
Número da atribuição
PTDC/COM-CSS/4049/2021
