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Projeto de investigação
O CÓDICE COMO LIVRO ARTÍSTICO. ESTUDO TEÓRICO DAS RELAÇÕES ENTRE TEXTO, IMAGEM E SUPORTE NOS MANUSCRI-TOS ILUMINADOS DE TEMÁTICA SAGRADA ENTRE OS SÉCULOS XI E XIII
Financiador
Autores
Publicações
Carmina figurata e a teoria da imagem carolíngia: contributos para uma reflexão sobre a relação texto-imagem
Publication . Coutinho, Vânia Maria; Leal, Joana Cunha; Miranda, Maria Adelaide
A presente tese investiga os poemas figurados compostos entre c. 780 e c. 814, por Alcuíno,
Josefo Escoto, Teodulfo e Rábano Mauro, na sua relação com o funcionamento político,
social, cultural e religioso coevo. Verifica-se que estas obras não testemunham apenas um
projecto ideológico de fôlego, mas constroem-no. É notório um comprometimento com a elite
que detém o poder, mas os poemas – por certo pela presença das imagens que lhes confere
originalidade – não só resistem às suas circunstâncias, como manifestam a sua vida própria,
uma capaz de gerar efeitos no espaço do comum. Assiste-se a uma produção
excepcionalmente numerosa de poemas figurados no mesmo período em que a corte
carolíngia se pronuncia sobre a querela das imagens bizantina. Investigam-se aqui os
argumentos dos francos nos Libri Carolini, cujos contornos de redacção e (quase)
proclamação oficial permitem aventar a hipótese de configurarem uma ‘teoria de Estado’
sobre a imagem, para a qual convergiriam os poemas figurados, designadamente os de
Rábano Mauro. De acordo com interpretações historiográficas, em causa estaria a valorização
das Escrituras e da cultura escrita em detrimento das imagens, subordinando a visualidade dos
poemas à Palavra, ao texto, ao seu significado e vocação espiritual. A figuração, destituída da
sua materialidade, actuaria fundamentalmente como apelo ao invisível e à vivência da
religiosidade, ideia que se discute. Tendo presente a investigação sobre a eventual origem e
linhagem poética dos poemas figurados, bem como a sua recepção em momentos particulares
da história, explora-se como a tendente desvalorização do visual a que estas composições
estão sujeitas tem antecedentes históricos. Isto é, contextos onde se formula uma antinomia
entre texto e imagem – nomeadamente através da altercação, moderna, entre pintura e poesia
e do desenvolvimento de paradigmas epistemológicos logocêntricos (de origem teológica,
cultural ou política) – que condicionam, ainda hoje, os nossos modelos de análise. Neste
sentido, procura-se também expor a imagem como irredutível às múltiplas soluções que a
‘textualizam’, vendo o que os poemas figurados mostram juntamente com o que dizem.
Suspende-se a rasura da sua pictorialidade para acolher, enfim, o imperativo de unicidade que
portam e os diferencia quer de um poema, quer de uma imagem, permitindo que aconteçam,
com o texto, nesse espaço de pintura-poesia / texto-imagem. A reflexão exposta nas obras
destes autores constitui um momento assinalável para discutir concepções sobre a imagem
medieva, cujos contributos conceptuais e teóricos nos estudos crítico da relação entre texto e
imagem, que nutriram esta investigação, são inegáveis; e são-no muito além da sua assinatura
temporal.
Unidades organizacionais
Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
Número da atribuição
SFRH/BD/62732/2009
