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Projeto de investigação

Novo: Rompendo o armário político na internet e nas ruas: Os ativismos LGBTQIA+ à direita no Brasil 2013-2020. Inicial: Gays conservadores: O ativismo homossexual nas redes da nova direita brasileira

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Rompendo o armário político na internet e nas ruas: Os ativismos LGBTQIA+ à direita no Brasil (2013-2020)
Publication . Cruz, Rodrigo Rodrigues da; Simões, João Alberto de Vasconcelos
Esta tese busca compreender o processo de constituição pública dos ativismos LGBTQIA+ à direita no Brasil entre os anos de 2013 e 2020. Indo ao encontro das essencializações comuns ao debate público, que tendem a tomar estes ativistas como portadores de uma “falsa consciência” de si mesmos, optei por uma abordagem compreensiva preocupada em reconstituir os pontos de vista dos atores. Teoricamente orientado pela Sociologia da ação coletiva e dos movimentos sociais, em especial pela abordagem do Confronto Político, em articulação com uma Sociologia de tradição disposicionalista e com teorias e conceitos dos estudos de gênero e sexualidade, adotei uma perspectiva multinível com o objetivo de: identificar as variáveis do ambiente político e cultural que ofereceram incentivos a estas mobilizações (nível macro); examinar as dinâmicas relacionais que atravessam a ação coletiva (offline) e conectiva (online) dos atores e seus agrupamentos, com ênfase nas formas de organização, ação e produção de sentido (nível meso); e analisar as contribuições de ordem biográfica (na forma de disposições individuais, valores e crenças incorporadas ao longo de suas trajetórias) que são mobilizadas para dar forma e sentido a estes ativismos (nível micro). Para atingir estes objetivos, recorri a uma triangulação de dados empíricos produzidos a partir de uma pesquisa documental nos meios de comunicação social, imersão etnográfica online e entrevistas compreensivas com 18 ativistas (homens cis e trans auto identificados como homossexuais, bissexuais e assexuais) associados a diferentes grupos políticos à direita e residentes em diferentes regiões do Brasil. Os resultados sugerem que o contexto de oportunidades políticas e culturais aberto pela crise dos governos do Partido dos Trabalhadores, o ciclo de protestos de junho de 2013 e a campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2015/2016 provocou deslocamentos relevantes no campo do confronto político. Este cenário favoreceu o recrutamento de novas gerações de ativistas por parte de antigas e novas organizações liberais e conservadoras, criando um ambiente permeável à circulação de novas ideias e comportamentos que ofereceu estímulos à ruptura do armário político. Estes ativistas encontraram-se uns aos outros nos espaços de socialização política à direita na internet (fanpages, canais, grupos privados de discussão), formando agrupamentos específicos para pessoas LGBTQIA+ e dando forma a dois estilos de ativismo distintos, mas com algum grau de semelhança: um de cariz liberal e outro de feição conservadora. Do ponto de vista das trajetórias individuais, o engajamento político à direita permitiu que os atores pudessem: tentar compatibilizar as várias identidades (ex.: “gay”, “católico”, “negro”, “conservador”, “patriota”) e papeis sociais (ex.: “filho”, “marido”, “fiel” e “trabalhador”), acumulados ao longo dos seus percursos de vida; expressar a rejeição às esquerdas e aos movimentos e espaços de sociabilidade LGBTQIA+; criar uma autoimagem positiva e ressignificar e negociar suas identidades sexuais nos meios sociais considerados significativos para as suas existências, nomeadamente a família, a igreja e os espaços de ativismo.

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Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

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Número da atribuição

SFRH/BD/137606/2018

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