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Projeto de investigação
The taxonomy of Portuguese whaling from the 13th to the 19th century: An Atlantic history of the sea, whales and people
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A taxonomia da baleação portuguesa entre os séculos XV e XVIII: Uma história atlântica do mar, das baleias e das pessoas
Publication . Azevedo, Nina Vieira Portugal; Pelúcia, Alexandra; Brito, Cristina
A presente tese tem como principal objetivo reconstruir a história da baleação no
Brasil dos séculos XVII e XVIII, tendo como problemática central a importância das
baleias, enquanto agentes, e da baleação, enquanto estímulo, para a construção da
presença portuguesa na América.
Este estudo foi motivado por uma lacuna historiográfica relativa à captura de
baleias organizada por portugueses, nomeadamente no contexto da História da Expansão
Portuguesa, e ainda relativamente à problematização das relações entre as pessoas e o
restante mundo natural, na época moderna. Com suporte na História Ambiental, enquanto
disciplina emergente na historiografia internacional, e muito recente na academia
portuguesa, pretendemos aqui analisar a influência que o ambiente marinho teve sobre as
ações humanas e o simultâneo impacto das sociedades nestes ecossistemas e nos recursos
naturais que aí existem e dos quais dependem.
Do nosso estudo resultam evidências claras de que a abundância de baleias no
passado, e a utilidade dos produtos que delas derivam, promoveram a transferência da
experiência e técnicas baleeiras bascas para o território sul-americano, estimulando o
monopólio régio ibérico da baleação entre 1614 e 1801. O desenvolvimento da atividade
ao longo da costa foi promovido pela Coroa e seus funcionários, acompanhando o
processo de assentamento no território, clarificando-se, assim, a relação entre a
apropriação do território e o estabelecimento e desenvolvimento de armações baleeiras
fixas.
Com início na Bahia, por negociantes e baleeiros bascos logo em 1602, a atividade
baleeira expandiu-se ao Rio de Janeiro, ainda na primeira metade de Seiscentos, e a São
Paulo e Santa Catarina nas décadas de 1730 e 1740, respetivamente. Os produtos centrais
com valor utilitário e comercial foram o óleo, para iluminação dos principais centros
urbanos da América portuguesa, e as barbas de baleia. Mais, durante todo o período
analisado, mais particularmente na segunda metade do século XVIII, foram transportadas
para Lisboa milhares de pipas de óleo de baleia e fardos de barbas.
No período em que decorreu o monopólio baleeiro milhares de baleias foram
caçadas, muito provavelmente das espécies baleia-franca-austral (Eubalaena australis) e
baleia-corcunda (Megaptera novaeangliae). Na sequência do desenvolvimento da
baleação americana para águas do Atlântico Sul, já na segunda metade de Setecentos,
promoveu-se nova transferência de conhecimento para o Brasil. Deste modo, integraramse
técnicas e instrumentos específicos para a caça de cachalote (Physeter macrocephalus)
nas armações brasileiras. Neste período específico, entre 1774 e 1777, a operação baleeira
caracterizou-se simultaneamente pelo Estilo-Basco e Estilo-Americano Costeiro.
O impacto desta atividade nas populações de baleias começou a ser notado nas
últimas décadas do século XVIII, quando a concorrência baleeira entre diferentes nações
se intensificou nos mares do sul e, à exceção das águas costeiras adjacentes a Santa
Catarina, se começou a sentir a ausência de animais.
Pela sua presença ou ausência, pelos seus comportamentos e pelos seus produtos,
as baleias foram agentes na construção da presença portuguesa no Brasil e a baleação foi
uma atividade com impacto nas finanças da Coroa e dos seus súbditos, na construção da
sociedade colonial e da sua relação com o Reino, assim como nos espaços litorais e no
ecossistema marinho.
Unidades organizacionais
Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
OE
Número da atribuição
SFRH/BD/104932/2014
