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Projeto de investigação
Entre a seca africana e a utopia europeia - A percepção do papel do ambiente na mobilidade de refugiados e migrantes etíopes e eritreus em Itália e cabo-verdianos em Portugal
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Entre a seca africana e a utopia europeia. A percepção do papel do ambiente na mobilidade de refugiados e migrantes etíopes e eritreus em Itália e cabo-verdianos em Portugal
Publication . Ferreira, Ana Inês Aires Mesquita Vieira; Pires, Iva Miranda; Baptista, Luís Vicente
Ambiente e mobilidades são dois dos eixos temáticos que mais têm sido objecto de
reflexão, construção política e mobilização civil no século XXI. O seu cruzamento com
outros domínios importantes de construção social, particularmente ao nível do
desenvolvimento e das desigualdades sociais, tem motivado um número crescente de
produções científicas e de políticas públicas. Estas produções cada vez mais conduzem
para uma ponderação do seu lugar de cruzamento: as migrações ambientais, designação
discutível mas identificável para designar fluxos de mobilidade, em diferentes escalas
temporais e espaciais, em cujos indutores podem identificar-se causas ambientais.
Esta tese pretende contribuir, com o seu aporte qualitativo, para o debate e a crescente
construção deste campo cruzado entre questões ambientais e mobilidades humanas.
Nesse sentido, partimos de um enquadramento científico interdisciplinar em Ecologia
Humana, com um quadro teórico-conceptual que reflecte sobre mobilidades e ambiente
como eixo norteador da análise. Na procura de compreender como é que as questões
ambientais surgem na memória dos contextos de origem de migrantes e refugiados
provenientes de países sob pressão ambiental (sobretudo em problemas relacionados
com a água) e residentes no sul europeu, foram realizadas entrevistas com migrantes e
refugiados etíopes e eritreus em Bolonha, Itália, e migrantes cabo-verdianos em Lisboa,
Portugal. Tendo em vista responder aos restantes objectivos que moveram este
trabalho de doutoramento, outras opções metodológicas foram integradas (histórias de
vida e de mobilidade, análise documental e de imprensa, observação participante, filme
documentário).
A tese organiza-se em três partes, começando por enquadrar a pesquisa e os
entrevistados. Procede para a ponderação do papel do ambiente em tempo de
mobilidades, procurando desconstruir e perceber o desenvolvimento científico e político
que acompanhou os discursos sobre “refugiados ambientais” e migrações ambientais, e
de seguida interpreta as percepções recolhidas sobre questões ambientais nos
contextos de origem dos entrevistados (ambiente-natureza, ambiente-estrutura,
ambiente-emergência, mudança social e reenquadramento do ambiente e das
mobilidades). A terceira parte sugere conduzir a leitura da informação recolhida do
ambiente de origem ao território de chegada, enquadrando perspectivas sobre
mobilidades, migrações e trajectórias, ponderando os enquadramentos pós-coloniais de
relação entre países de origem e de chegada, reflectindo sobre questões emergentes
nos territórios considerados (em particular sobre o aumento das travessias de
refugiados no Mediterrâneo) e sobre questões de integração das populações
consideradas nas cidades em que se reinstalaram (Bolonha e Lisboa).
Unidades organizacionais
Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
Número da atribuição
SFRH/BD/68730/2010
