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Projeto de investigação

UM ENCONTRO POSSÍVEL DA ARTE NA EUROPA. A EXPOSIÇÃO-DIÁLOGO DE 1985

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Um Encontro Possível da Arte na Europa. A Exposição Diálogo de 1985
Publication . Rodrigues, André da Silveira; Leal, Joana Cunha
A Primeira Exposição-Diálogo sobre Arte Contemporânea na Europa realizou-se em Lisboa, no complexo da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 28 de Março e 16 de Junho de 1985. Juntando na sua organização o Conselho da Europa e oito museus sedeados em Estados-membros daquele organismo, esta exposição visava o cumprimento de três objectivos: constituir uma imagem da arte contemporânea na Europa; investigar uma eventual identidade cultural europeia; e perceber o papel dos museus de arte moderna e contemporânea na sedimentação de uma herança cultural europeia comum. O modelo expositivo da Exposição-Diálogo, proposto por René Berger, procurava cumprir estes propósitos através do confronto entre as representações dos museus. Confronto alicerçado na definição de um sistema da arte moderna envolvendo agentes específicos como, entre outros, os artistas, as galerias, as feiras de arte, as bienais ou os museus. Neste sistema caberia ao museu estabelecer um discurso de continuidade entre a arte contemporânea e toda a história da arte, ao mesmo tempo que deveria adquirir e exibir obras já sujeitas ao circuito institucional. O modelo expositivo dependia, por isso, da mediação efectuada pelos vários agentes do campo da arte. A selecção final de obras expostas, bem com as ligações entre estas e os museus resultaria das escolhas já efectuadas ao longo do circuito percorrido pelas peças naquela estrutura. A materialização de um tal modelo no espaço expositivo corresponderia a uma apresentação justaposta da representação de cada museu, tornando visíveis as diversas especificidades locais e o que revelariam de comum. É este modelo que vem a ser alterado para uma exibição aglutinada já durante a organização da Exposição-Diálogo, modificando ainda a ponderação do número de obras por museu. Estas alterações vão dificultar a apreensão dos pressupostos sobre os quais assentara a proposta de René Berger e, segundo o próprio, darão lugar a um projecto totalmente novo. Assim se justifica que parte da recepção internacional desta exposição a tenha classificado como apenas mais uma grande exposição de arte, incapaz além disso de construir uma imagem abrangente da arte contemporânea na Europa, dada a ausência de alguns dos museus europeus mais reconhecidos – crítica que não encontrou exactamente o mesmo eco em Portugal. Incapacidade expositiva que justificaria parte do seu insucesso. Mas também a proposta teórica de R. Berger, nomeadamente a tese acerca de um museu liberto de interferências políticas ou do mercado da arte, motivaria uma crítica feroz à Exposição-Diálogo. Era nessa proposta, no entanto, que residia a legitimação da Exposição-Diálogo do ponto de vista dos organizadores. O questionamento desta legitimação leva a que, nesta tese, se enquadre a exposição no conjunto das políticas culturais do Conselho da Europa e, mais especificamente, no seu programa de Exposições de Arte. Programa do qual a exposição de Lisboa será retirada ainda durante a sua organização, anunciando de certo modo que a Primeira Exposição-Diálogo seria também a última.

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Contribuidores

Financiadores

Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Programa de financiamento

PIDDAC

Número da atribuição

SFRH/BD/64547/2009

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