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Projeto de investigação

Das capitais do têxtil às capitais da cultura: classes, património e mobilidades no contexto Guimarães-Lille

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Publicações

Fazer a vida no Vale do Ave. Indústria e migrações nos anos 1960-70
Publication . Rei, Mariana de Azevedo Machado Lourenço; Godinho, Paula; Cordeiro, José Manuel Lopes; Hachez-Leroy, Florence
Tomando como ponto de partida a hipervisibilização histórica do mundo rural no olhar da antropologia sobre o norte do país, esta tese debruça-se sobre os modos de “fazer a vida” de antigas operárias e operários têxteis do Vale do Ave, num mundo social em transformação durante os anos 1960-70 em Portugal. Analisa-se, em particular, o caso da antiga Companhia de Fiação e Tecidos de Guimarães, uma fábrica têxtil fundada em 1890 em Campelos (freguesia de Ponte, Guimarães) que marcou, desde então, as principais transformações do lugar e as trajetórias de vida dos seus habitantes. Encerraria em 1968, altura em que, na sua envolvente, se intensifica a emigração em direção ao centro europeu, sendo Roubaix e Tourcoing – uma antiga zona industrial têxtil no norte de França – um destino recorrente. Partindo de um olhar que, desde o presente, se estende a um tempo longo, no quadro dos estudos sobre memória, analisa-se a articulação entre as mudanças sociais, económicas, políticas e culturais do lugar, e as trajetórias de vida e estruturas de sentimento dos seus habitantes. Em diálogo com os debates em torno de uma noção alargada de economia e de “trabalho”, atenta-se, por um lado, à centralidade da indústria têxtil e das migrações nessas mudanças, e, por outro, ao modo como os próprios sujeitos participam nelas ativamente, mediante um “trabalho” que visa “ganhar” e também “melhorar a vida”. Um “trabalho” que abarca várias esferas e dimensões da vida, entre economia, valor e tempo. Ou, por outras palavras, a força material das ideias implicada em vidas que se “fazem”, “arranjam”, “orientam”, tomam nas próprias mãos, e onde o futuro se situa, muitas vezes, noutro lugar. Conclui-se que a análise articulada da indústria e das migrações, no tempo longo e a partir da pequena escala, numa perspetiva emic, se configura como um dispositivo importante na compreensão das práticas económicas dos sujeitos numa perspetiva alargada. Uma análise que adquire particular relevância em zonas como o Vale do Ave, perante a sua diversidade intrarregional e articulação com dinâmicas globais, e em contextos marcados por uma crise e incerteza persistentes.

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Fundação para a Ciência e a Tecnologia

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Número da atribuição

SFRH/BD/116838/2016

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