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Os Mamíferos Marinhos Nas Viagens Marítimas pelo Atlântico Entre os Sécs. XV e XVIII: a Evolução da Ciência e do Conhecimento
Publication . Brito, Cristina Maria Ribeiro da Silva; Costa, João Paulo Azevedo de Oliveira e
Os mamíferos marinhos constituem um grupo animal que pode ser usado como um paradigma para a história da ciência e para a história da história natural, tanto em Portugal como no Altântico. Apesar de serem animais marinhos que vivem num meio que nos é inóspito, neste grupo de mamíferos incluem-se animais grandes, que dependem da superfície para respirar e que desde sempre suscitaram interesses, interrogações e motivações nas diversas culturas e populações humanas que com eles contactaram. Para Portugal Continental encontram-se as primeiras referências a mamíferos marinhos desde o século XII, seja através de registos de arrojamentos como de actividades associadas à baleação em diversas zonas do país. Em Portugal e paralelamente ao País Basco, reconhecido berço da baleação ocidental, desenvolveu-se uma importante cultura baleeira. Esta avançou para o Atlântico apoiada no desenrolar das navegações portuguesas oceânicas, ultramarinas e transatlânticas a partir dos séculos XV e XVI e também aí se estabeleceu. É igualmente na exploração do grande e desconhecido Mar Oceano, primeiro ao largo da costa ocidental africana e das ilhas atlânticas e posteriormente atingindo o seu expoente máximo na costa brasileira durante o século XVII, que se observaram os animais marinhos, se fizeram relatos e perpetuaram descrições, se transmitiram informações recém-descobertas e se criaram as bases para as ciências naturais. Este facto particulariza-se para as descrições zoológicas e classificações animais que apenas são reconhecidas enquanto disciplinas a partir do século XVIII. Existe um Naturalismo Atlântico, formalizado neste trabalho, que decorreu num período de abertura e criação de novas concepções mentais sobre o mundo e que se desenvolveu simultaneamente ao Naturalismo Enciclopédico Europeu, este último resultante dos movimentos científicos e culturais do Renascimento. No entanto observou-se que poucas interligações ou influências existiram entre estas duas linhas das ciências naturais. Este facto é indicativo da pouca expressão da ciência natural Atlântica à época provavelmente como resultado da inexistência de edições impressas, do uso comum da língua portuguesa em detrimento do latim ou de uma deficiente divulgação e propagação do conhecimento. No entanto, ao estudar as fontes históricas e analisando especificamente as referências a baleias, golfinhos, focas, manatins e outros grandes animais marinhos, concluiu-se que a partir do Além-Mar Português surgiram contribuições relevantes para a formação e a evolução da história natural num contexto de revolução
científica e de globalização de conceitos e ideias.
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SFRH/BD/21836/2005
