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O Transcendental Geométrico e a Percepto-Cognição
Publication . Sousa, Sílvio Filipe Varela de; Molder, Maria Filomena; Pombo, Olga
Esta dissertação devota-se a um duplo problema: o primeiro, reconsiderar a hipótese de um pensamento sobre o campo transcendental que prepara o conhecimento geométrico; através dessa concepção, no segundo, procura religar a geometria com a perceptocognição humana, mais particularmente no campo da visão, não apenas como linguagem de modelizações, mas apurando pedras-de-toque para defender a sua intrínseca presença e laboração nos mecanismos percepto-cognitivos humanos. Reconsiderar o aspecto transcendental da geometria corresponde ao esforço de aprofundar a inteligibilidade das suas marcas mais decisivas: universalidade, supratemporalidade, apodiciticidade, enfim, o assentimento comum que lhe é dado por todos os povos, em todos os tempos. Tais aspectos são analisados a partir de dois pensadores que, indirectamente, esboçaram relevantes programas para o transcendental geométrico: Michel Serres e Edmund Husserl. Serres oferece pedras-de-toque para repensar um logos do universo, uma inteligência intrínseca ao seu tecido, que se apreende em relações e vínculos estruturais invariantes entre os mais distintos elementos e que se torna manifesta em vários campos da prática humana. Esta inteligibilidade universal tem marcas próprias que abrem para o seu aspecto transcendental: não tem sujeito, nasce num espaço indefinido de confluências filtradas, goza de uma temporalidade peculiar e convoca o raciocínio puro com uma lógica e autonomia sem paralelo noutros saberes. Husserl oferece pedras-de-toque para reconsiderar a intimidade entre a consciência pura e o saber geométrico, estudando o corpo das suas formações históricas, sua tradição e condições de transmissão, a formação das suas idealidades e, sobretudo, as condições lógicas que provêm ao sentido de cada formação geométrica. No esforço de dar a estes pensamentos sistematicidade e colocando a ênfase no seu horizonte transcendental, desenha-se um quadro de condições para repensar o transcendental geométrico e a actividade cognitiva humana através do sistema co-natural em que ambos se entrelaçam. É essa concepção que abre para o estudo do segundo problema. Se o objectivo é religar o transcendental geométrico e a percepto-cognição, Platão foi o primeiro pensador a investigar o carácter transcendental da geometria e as relações que estabelece com o humano: com a experiência do espaço, a afecção sensorial, a formação de conceitos, e o entrelaçamento entre sensível e inteligível na corporeidade do mundo. Porém, só com Immanuel Kant se desenha um verdadeiro projecto de vinculação do transcendental geométrico à percepto-cognição. Como tese, defendemos e sustentamos que Kant concebeu essa vinculação na teoria do esquematismo, a partir da ideia de que a percepto-cognição empírica assentava em esquematizações cuja matriz era geométrica. Esta concepção, apenas sugerida, foi todavia abandonada por Kant. Ora, aqui procuramos esclarecer as matrizes de uma esquematização geométrica para os conceitos empíricos, e convocar a sua teoria da afinidade para a cognição e para o sistema do conhecimento a partir de aberturas no pensamento contemporâneo que, indirectamente, prolongam, enriquecem e reactualizam o projecto kantiano. Através dos projectos teóricos de Irving Biederman e Peter Gärdenfors consolidam-se ideias decisivas: com Biederman, que é possível pensar o reconhecimento de conceitos empíricos através de modelos geométricos e, mais importantemente, que na constituição desse projecto se surpreende, ao nível neuronal, uma intimidade entre o percepcionar e os princípios do geometrizar; com Gärdenfors, que o sistema do conhecimento é, tal como Kant o compreendeu, um sistema de afinidades, de similaridades, e todo o esforço é compreender como pode a geometria traduzir esse sistema. Mas há dificuldades nos dois projectos, curiosamente as dificuldades que terão levado Kant a abandoná-lo.

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SFRH/BD/60471/2009

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