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Study of the natural alkenylbenzenes compounds: mechanisms of DNA lesions and implications for humana health
Publication . Martins, Célia Maria da Silva; Rodrigues, António Sebastião; Rueff, José
RESUMO: Os alquenilbenzenos são compostos naturais encontrados em especiarias como a noz-moscada, cravinho e anis e nos seus óleos essenciais englobando mais de 30 compostos com diferentes características estruturais. Os produtos naturais contendo estes compostos têm sido utilizados ao longo dos anos não apenas em alimentos mas também em medicinas, como óleos essenciais, infusões, chás ou mesmo em formulações farmacêuticas. Por conseguinte, esta família de compostos não só está presente como é amplamente utilizada tanto na alimentação ocidental como em preparações medicinais, apresentando um potencial de risco significativo uma vez que alguns destes compostos são genotóxicos.
O objetivo desta tese foi avaliar os mecanismos de genotoxicidade de vários alquenilbenzenos, incluindo o eugenol, o estragole e a miristicina, todos eles presentes em especiarias. Demonstrámos que o eugenol, presente no cravinho, induz aberrações cromossómicas em células V79 e leva à fosforilação da histona H2AX em células de ovário de Hamster Chinês AA8, indicando a formação de quebras de dupla cadeia no DNA. O eugenol também induziu endoreduplicação, o que sugere que este composto é um inibidor da topoisomerase. Outro alquenilbenzeno estudado foi o estragole, presente no estragão, manjericão e anis. Este composto induziu quebras no DNA, trocas de cromátides irmãs e aductos no DNA, que provavelmente são responsáveis pela sua ação genotóxica. Os nossos resultados também indicaram que a miristicina, presente no manjericão, anis, canela, cravinho, funcho, noz-moscada, salsa e anis, não é genotóxica mas é apoptótica, e levou a uma subexpressão de genes envolvidos nas vias de reparação de DNA, em particular genes envolvidos na reparação por excisão de nucleotídeos, reparação de quebras de cadeia dupla de DNA e na sinalização de lesões no DNA e stress celular. Por último, como prova de conceito, avaliámos alterações na metilação do DNA de vários genes após exposição prolongada a uma dose baixa (10 μM) dos alquenilbenzenos eugenol e elemicina em células humanas de cancro da mama, MCF-7. Observámos que o eugenol e a elemicina aumentam a expressão do gene RASSF1A e alteram o estado de metilação do DNA, embora sem se conseguir ter uma relação directa entre estes dois fenómenos. Inesperadamente, observámos um aumento do ATM e do H2AX fosforilado após x exposição prolongada ao eugenol e à elemicina, indicando um risco aumentado para possíveis efeitos genotóxicos a doses baixas. Globalmente, os nossos resultados podem contribuir para uma maior compreensão do risco associado ao consumo destes alquenilbenzenos presentes na alimentação, como foi preconizado pela JECFA.
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Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
SFRH
Número da atribuição
SFRH/BD/81097/2011
