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Projeto de investigação

O HIPER-OBJECTO DE ARTE: DA PÓS-PLASTICIDADE NA ERA DAS REDES

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Materialidade e Tecnicidade: Investigação sobre a objectualidade técnica
Publication . Fernandes, Manuel Luís Bogalheiro Rocha; Miranda, José Augusto Bragança de
A presente investigação funda-se numa problematização do modo como a técnica contemporânea introduziu um conjunto de alterações fracturantes nas representações culturais da materialidade dos objectos. Depois do predomínio de uma estrutura histórica de produção que deixou uma herança de referentes analógicos reconhecíveis em objectos duros e palpáveis, imóveis e constantes, finalizados e controlados, a contemporaneidade técnica é colonizada por novas configurações objectuais que, enformadas em códigos numéricos e em operações informacionais, são representadas como instáveis, múltiplas no espaço, fragmentadas e parciais, em constante faseamento e sem consistência física. A convulsão dessa estrutura histórica origina uma crise. Em debate está a constituição de uma linguagem crítica e a formação de novas categorias explicativas que se coloquem para além da herança dessa tradição e que consigam mapear um conjunto de objectos e de fenómenos sem semelhança com aqueles que milenarmente formaram a experiência. O reconhecimento da crise cultural que reflecte esta transformação técnica despoleta duas direcções de investigação. A primeira procura rever as representações materiais de uma cultura que, devedora do essencialismo e do transcendentalismo, sempre se sentiu mais segura entre as propriedades sólidas, constantes, métricas e controladas, do que entre os fluxos e as propriedades cuja fisicalidade é instável e susceptível de uma persistente variação. Neste sentido, é possível reconhecer uma relação histórica de dependência entre a concepção de objecto e uma certa concepção de matéria determinada hic et nunc. A segunda direcção – diagnosticados os sintomas das actuais configurações processuais da matéria – procura relativizar essa concepção clássica de materialidade e, consequentemente, de objecto. Para essa argumentação, apoiamo-nos na crítica de Gilbert Simondon ao modelo clássico da matéria e da forma – o hilemorfismo. Em vez da simples justaposição de duas abstracções previamente decidas, a matéria e a forma, propõe-se que este modelo seja compreendido como um sistema dinâmico e comunicacional, no qual, através de uma tensão energética entre realidades heterogéneas, se concretiza progressivamente um novo equilíbrio. Aquilo que se foca é a génese que acontece no entre dos processos de formação, em vez das determinações materiais dos objectos já formados. Desse modo, emancipa-se uma objectualidade que, por natureza, não se esgota nos estados finais e sempre terá atravessado a evolução técnica como um conjunto de adaptações, negociações e conversões entre elementos heterogéneos, instáveis e com uma propensão reticular. Em suma, e revendo os sintomas da crise, trata-se de testar uma mudança de ângulo dos objectos técnicos em si mesmos, reduzidos ao seus atributos estritamente materiais, para as operações e as relações que estabelecem, enquanto elementos relacionais de um sistema e enquanto irredutíveis centros de indeterminação e de criação de possíveis não previstos. A tecnicidade é a expressão de um alargamento da objectualidade que, nesse movimento, integra o curso da evolução, integra aquilo que está inscrito na natureza, mas que é actualizado pelos agenciamentos técnicos, e, necessariamente, integra o Homem enquanto inventor e utilizador que – no prazer que pode extrair de experimentar e de ampliar incansavelmente os limites do existente – reconhece na tendência técnica, sempre incompleta, a oportunidade da sua própria individuação.

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Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Programa de financiamento

Número da atribuição

SFRH/BD/76911/2011

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