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Projeto de investigação
ENTRE CORPOS E ECRÃS - IDENTIDADES E SEXUALIDADES DOS JOVENS NOS NOVOS MEDIA
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Entre Corpos e Ecrãs: identidades e sexualidades dos jovens nos novos media
Publication . Cardoso, Daniel dos Santos; Ponte, Cristina; Cascais, António Fernando
A presente tese de Doutoramento estuda quatro usos sexualizados dos novos
media: consulta de informação sobre sexualidade e saúde sexual, participação cívica,
consumo de pornografia e sexting.
O trabalho realizado parte de uma abordagem foucauldiana em que se reflecte
sobre o papel das pessoas jovens no contexto do dispositivo de sexualidade e sobre
como os próprios participam do mesmo através de estratégias de governamentalidade,
bem como sobre o papel dos novos media na constituição das suas subjectividades
sexuais. O ambiente considerado pornograficado do contexto mediático contemporâneo
e o papel da sexualidade na regulação dos media e da juventude é também abordado em
profundidade, a partir de uma perspectiva feminista e da teoria queer. É feito uma
contextualização sociohistórica do ambiente cultural português em que a investigação
decorreu.
Metodologicamente, recorreu-se a um inquérito por questionário online, com
amostragem por bola de neve feito através de redes sociais e de instituições
colaboradoras do estudo, focando-se em jovens residentes em Portugal, entre os 16 e os
19 anos; foram recolhidas 183 respostas válidas. As respostas foram submetidas a
análise estatística descritiva e correlacional. Em seguida, os respondentes autopropostos
a entrevista face-a-face foram contactados para efectivar as entrevistas. Deste
processo resultaram 11 entrevistas face-a-face, em profundidade, sobre as experiências
de jovens com os novos media, focando-se especialmente nas quatro actividades
assinaladas.
Os resultados dos inquéritos por questionário mostram a predominância, na
amostra não-representativa, das práticas de consulta de informação sobre sexualidade e
saúde sexual e de consulta de pornografia, mas níveis baixos de participação cívica e de
sexting. A partir das entrevistas, é possível compreender que as pessoas jovens
negoceiam constantemente o seu lugar enquanto sujeitos sexuais nos seus espaços de
sociabilidade, e que um componente dessa dinâmica passa pelos novos meios de
comunicação social. As pessoas que participaram neste estudo avaliam comportamentos
sexuais como normais ou desviantes, avaliam a posse ou não de determinados saberes
como falhas pessoais, e o mesmo se aplicando a saberes ou competências de literacia
digital e mediática. Nesse contexto, constroem-se moralmente enquanto sujeitos sociais
e sexuais que respondem perante uma injunção discursiva e de governamentalidade de
si, que implica também o governo das outras pessoas, e a sua inscrição dentro dos seus
esquemas de subjectividade moral.Ao mesmo tempo, os contextos e lacunas ao nível de educação, de apoio familiar
e de pares tornam-se variáveis centrais que modulam a forma como as e os jovens
interagem com os novos media. Uma das variáveis que mais marcou as entrevistas foi a
orientação sexual apresentada: esse elemento, ao enquadrar as pessoas jovens em
sistemas macrossociais de exclusão, tingiu a relevância que os media tiveram na vida
das pessoas não-heterossexuais, bem como a forma como essa interacção foi feita.
Deixam-se sugestões para novas formas de investigação com os media e jovens
no contexto da sexualidade e do género, a partir das lacunas identificadas a nível
nacional.
Unidades organizacionais
Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
Número da atribuição
SFRH/BD/73079/2010
