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Projeto de investigação
Substantia Nigra pars compacta in Parkinson´s Disease: Function and Vulnerability
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Substantia Nigra in Parkinson’s Disease: Exploring the encoding of movement kinematics by Dopaminergic Neurons
Publication . Sousa, Marcelo Duarte Dias Mendonça de; Costa, Rui M.
RESUMO: Para sobreviver, os animais têm de envigorar adequadamente as suas acções.
Apesar da dopamina (DA) ter sido implicada na recompensa e aprendizagem por
reforço, a perda de neurónios dopaminérgicos (DANs) da substantia Nigra pars
compacta (SNc) leva invariavelmente a défices do movimento e do vigor do movimento.
A doença de Parkinson (DP) é uma doença caracterizada por uma perda progressiva,
assimétrica dos DANs da SNc. Os sintomas da doença incluem lentidão do movimento,
tremor e rigidez – e no início da doença afectam um lado do corpo na ausência de
sintomas contralaterais. Face às múltiplas funções descritas para os DANs, permanece
pouco claro se os sintomas motores dos doentes com DP se devem a uma "falta de
vontade" geral de agir, ou se dimensões específicas do movimento são perturbadas pela
perda dos DANs.
Reconhecendo a simetria do cérebro e do corpo dos mamíferos, e considerando a
assimetria dos sintomas da DP, treinámos ratinhos numa nova tarefa operante self paced que permite a execução de sequências de movimentos utilizando apenas uma
das patas. Os ratinhos foram treinados para executar sequências em que carregavam
pelo menos 4 vezes na alavanca em menos de um segundo para receberem uma
recompensa de sacarose. Graças à organização espacial da caixa, os ratinhos estão
limitados a executar esta tarefa utilizando apenas uma das patas dianteiras (a direita ou
esquerda). Os animais foram capazes de aprender e executar a tarefa, reduzindo a
variabilidade de desempenho com o treino e atingindo uma fase assimptótica de
desempenho em que não são encontradas diferenças de performance entre a pata
esquerda ou direita.
Após injecção unilateral de GCaMP6f floxed na SNc de ratinhos DAT-cre, avaliamos
a função in vivo destes DANs geneticamente identificados. Verificámos que diferentes
SNc DANs são modulados por diferentes eventos comportamentais: Movimento ou
recompensa, independentemente do lado em que a acção foi executada. A identidade
dos DANs era estável ao longo dos dias, com actividade semelhante em diferentes
sessões após aprendizagem.
Os DANs da SNc aumentam transitoriamente a sua actividade antes dos movimentos
das patas ipsi e contralateral. No entanto, esta actividade é mais elevada antes das
sequências realizadas com a pata contralateral. Depois de executar uma sequência, os
ratinhos recolhem a recompensa. Descobrimos que a actividade DA era mais elevada
durante as aproximações à recompensa com movimentos contraversivos em
comparação com ipsiversivos, mas não foi encontrada evidência de lateralização de
resposta nos DANs modulados após a recompensa.
Também encontramos evidência de lateralização do vigor do movimento. A
actividade dos SNc DANs era mais elevada antes de sequências contralaterais mais
longas (em comparação com curtas). Isto não foi encontrado ipsilateralmente. Quando
se lesionou os terminais dopaminérgicos da SNc no estriado com uma injecção
unilateral de 6-Hidroxidopamina (6-OHDA), descobrimos que esta reduzia o vigor das
sequências de movimento contralaterais – mas não ipsilaterais.
Em humanos, utilizamos análise cinemática 3D baseada em sensores inerciais, para
avaliar a marcha de doentes com DP. Demonstramos que esta marcha é caracterizada
por um défice de vigor e alguma assimetria. Conseguimos construir uma nova variável
a partir de uma combinação linear de múltiplas dimensões cinemáticas e demonstramos
a existência de convergência de validade entre a cinemática e avaliação clínica dos
doentes. Mostramos a robustez desta medida numa segunda coorte.
A lateralização da actividade dos DANs relacionados com o movimento é consistente
com um papel destes neurónios em aspectos cinemáticos do movimento. Este resultado
é suportado pelos achados em lesões unilaterais da SNc em ratinhos, assim como pela
assimetria observada nos doentes com DP. Não foi encontrada evidência de
lateralização nas respostas relacionadas com a recompensa. Isto sugere que diferentes
subpopulações funcionais da SNc podem influenciar a aprendizagem e o desempenho
de acções por diferentes mecanismos.
Na DP, a degeneração dos DANs da SNc segue uma organização espacial. Há uma
perda preferencial de DANs na SNc ventro-lateral que progride medial e dorsalmente.
Tendo identificado uma heterogeneidade funcional e temporalmente estável dos DANs
da SNc, é possível que a degeneração de diferentes partes deste sistema contribua
para diferentes sintomas motores e não motores na DP. Clarificar se existe uma ligação
entre a heterogeneidade genética e o fenótipo funcional destes neurónios poderá
informar futuros estudos sobre a vulnerabilidade selectiva dos neurónios da SNc e guiar
estratégias neuroprotectoras. A avaliação de alta resolução dos sintomas motores na
DP será fundamental para a descoberta de fármacos neuroprotectores em ensaios de
modificação da doença e democratizaria a avaliação clínica dos pacientes.
Unidades organizacionais
Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
OE
Número da atribuição
SFRH/BD/119623/2016
