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Projeto de investigação

O património em direto: a produção da visibilidade e itinerários do popular

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O património em direto: produção de visibilidade e itinerários do popular
Publication . Horta, Arlindo Jesus Marques; Costa, Catarina Sousa Brandão Alves; Leal, João Aires de Freitas
Esta tese analisa a articulação entre a itinerância de um programa de televisão semanal, Somos Portugal, emitido em direto na estação privada nacional TVI desde 2012, e as estratégias autárquicas de produção de visibilidade, que envolvem um conjunto de feiras locais integradas em processos recentes de emblematização dos lugares, e que são ancoradas por ideias informais de cultura popular, tradição ou património imaterial. A partir do conceito de visibilidade, discute-se de que modo a televisão, enquanto média associado ao centro simbólico e político da nação, participa ativamente nestas estratégias locais para inscrever “o lugar” em amplos espaços visíveis, nacionais e globais, e como nesse processo mobiliza repertórios de “cultura popular” com distintos graus de prestígio que divergem das táticas localistas e emaranham as narrativas do popular em modelos mais vernaculares de celebrar a portugalidade. Discute-se de que forma as autarquias estão enredadas na necessidade contínua de produzir presença, num mercado global de imagens em permanente circulação, ao qual conseguem aceder invocando o discurso moral da publicidade, tendo por pretexto um território tornado mercadoria por via do turismo e/ou da ambição turística. Enquanto discurso moral, o turismo permite “dar a ver” os territórios do chamado “interior” como “territórios bons”, contestando visibilidades negativas induzidas pelos média informativos. Por sua vez, o estudo de caso das políticas de visibilidade elaboradas pelas autarquias de Oliveira do Hospital e de Celorico da Beira em torno do Queijo Serra da Estrela como produto DOP (Denominação de Origem Protegida), procura demonstrar como estas políticas são construídas envolvendo atores locais que articulam os seus interesses e se envolvem no desenho das mesmas, embora com distintos graus de ambição ou agencialidade, mas nem por isso retiram dessa participação ou dessas políticas de visibilização uma melhoria efetiva das fragilidades estruturais que marcam a sua atividade económica. Por fim, a tese sublinha a ideia de visibilidade enquanto prática social conscientemente articulada entre vários agentes, individuais e coletivos, e demonstra como os espaços do visível se têm transformado em arenas contemporâneas de competição pela atenção, numa lógica de crescente mercadorização.

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Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Programa de financiamento

OE

Número da atribuição

PD/BD/113940/2015

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