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Projeto de investigação
EM TORNO DOS CONTOS DE KIERKEGAARD: RETRATOS DA POSSIBILIDADE EXISTENCIAL DO ENCLAUSURAMENTO. UM ESTUDO ANTROPOLÓGICO-FILOSÓFICO
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Em torno dos contos de Kierkegaard: retratos da possibilidade existencial do enclausuramento. Um estudo antropológico - filosófico
Publication . Silva, Bárbara Henriques Marques Pereira da; Ferro, Nuno Rosa
Tal como reza a história de Frater Taciturnus – em Estádios no Caminho da Vida, de Søren Kierkegaard –, das profundezas de um recôndito, silencioso e solitário lago na Dinamarca, ele extraiu um diário anónimo de um sujeito enclausurado, a quem se refere pelo termo «quidam». Este achado corresponde à «história de sofrimento» de “«Culpado?» / «Não-culpado?»” (na terceira parte de Estádios no Caminho da Vida), um escrito em que se encontram inseridos seis contos: “O Desespero Silencioso”, “A Autocontemplação de um Leproso”, “O Sonho de Salomão”, “Uma Possibilidade”, “A Lição a Interiorizar. Periandro” e “Nabucodonosor”. E são estas seis pequenas narrativas que constituem o objecto do presente estudo fenomenológico. Por meio destas narrativas, o leitor tem a oportunidade de aprofundar a compreensão do mapa da existência. Seguindo o itinerário destes textos, ele pode ganhar perspectiva para vários fenómenos fundamentais da existência, tais como a imersão do sujeito no exterior e o seu contrário, i.e., a orientação do sujeito para si próprio, e tais como a melancolia, a recordação, a contemplação de si e da existência, a compaixão, a identidade, a confrontação com a questão do sentido da vida, o desenvolvimento da consciência, a culpa, o arrependimento desesperado, a angústia, a preocupação e a paixão, a prisão à categoria da possibilidade, a ausência de linguagem, a forma de existência que corresponde à excepção, a diferença e, até, a contradição entre o exterior e o interior, a sabedoria e a ausência da sua interiorização – pois tais fenómenos encontram-se, nesse conjunto de textos, desenhados de modo concreto e de forma exímia. Nestes seis contos, surge o fenómeno psicológico do enclausuramento delineado de diferentes formas concretas. Os personagens enclausurados estão muito longe da forma espontânea de existência, pois não estão afundados no meio envolvente, absorvidos no exterior – eles estão despertos para si próprios, reflectem sobre si próprios e sobre a existência, têm, na verdade, um grau de reflexão muito elevado. Estão confrontados com a existência e a questão do sentido da vida, confrontados consigo próprios, com a sua identidade – estão orientados para si próprios e concentrados em si próprios, alcançaram um elevado grau de lucidez, mas colidem com uma opacidade que não se desfaz. Enquanto permanecem enclausurados, não se revelam aos outros, mas também não alcançam realmente a revelação de si para si próprios, e, assim, o seu reconhecimento de si é somente parcial. Possuem um «eu» profundo e envolto em silêncio, um «eu» que eles não vêem com clareza. Enquanto permanecem enclausurados, não alcançam a expressão de si, não alcançam a transparência, não se alcançam realmente a si próprios: a sua identidade permanece escondida, e eles permanecem numa atmosfera de lucidez e obscuridade, de sabedoria e incompreensão, permanecem vazios e confrontados com o vazio. Os personagens dos contos não chegam a quebrar o enclausuramento e, assim, não alcançam um sentido pleno na existência.
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Palavras-chave
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Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
OE
Número da atribuição
SFRH/BD/77898/2011
