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Projeto de investigação

A ARTE DA INSTALAÇÃO EM ÂMBITO MUSEOLÓGICO: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA O FUTURO

Autores

Publicações

A Instalação em Âmbito Museológico: Desafios e Estratégias para o Futuro
Publication . Oliveira, Maria Cristina de Barros Martins de; Silva, Raquel Henriques da; Ginga, Adelaide
O desenvolvimento, sobretudo desde meados do século XX, de formas artísticas, entre as quais a instalação, que incluem novos materiais e componentes intangíveis, veio questionar as estratégias de conservação focadas na materialidade das obras de arte, que predominaram ao longo do século passado. Os desafios lançados aos museus fomentaram um debate a nível internacional que, particularmente desde a década de 1990, deu origem a diversas iniciativas que discutiram princípios e metodologias, propondo novos enquadramentos éticos. Nesta dissertação discutimos, a partir da instalação, aquele que recentemente foi chamado de “performance paradigm”. Este agrupa um conjunto de propostas que sugeriram que a conservação das instalações pressupõe a manutenção das características que constituem a identidade das obras. Focamo˗nos particularmente na chamada intenção do artista, que tende a ser sugerida como ponto de referência para a selecção destas características, reflectindo sobre algumas das limitações desta proposta. Dada a falta de discussão da noção de ‘instalação’ nesta área, começamos por analisar este conceito e a forma como tem sido tratado na bibliografia, sugerindo um conjunto de particularidades que, ainda que de modo flexível, ajudam a definir esta categoria. Em seguida, com recurso a uma selecção de casos, demonstramos alguns dos desafios que a instalação coloca aos museus, particularmente o modo como as obras variam ao longo das suas diversas apresentações e as dificuldades que podem surgir na passagem de testemunho do artista para o museu. Segue˗se a análise do chamado performance paradigm e da possibilidade de integrar a instalação no conjunto das artes alográficas, como já tem sido sugerido. Depois de aprofundar as bases da noção de arte alográfica no pensamento dos filósofos Nelson Goodman e Gérard Genette, propomos que o processo de constituição da identidade da obra pode ser entendido como uma ‘redução alográfica’, como proposta pelo último. Dada a importância que tem sido atribuída à chamada ‘intenção do artista’ na determinação das propriedades fundamentais das instalações, problematizamos esta noção, geralmente utilizada de forma vaga, com recurso a discussões no âmbito de outras disciplinas. Apesar da sua relevância no processo criativo, defendemos que esta é parcialmente inacessível. Nesse sentido, propomos que a constituição da ‘identidade’ de uma instalação não deve partir da ‘intenção do artista’ mas das manifestações da obra, com particular atenção às decisões (ou ratificações) tomadas nas diversas apresentações, não só pelo artista, mas também pelos outros profissionais envolvidos.

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Fundação para a Ciência e a Tecnologia

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Número da atribuição

SFRH/BD/77205/2011

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