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Margem de certa maneira
Publication . do Carmo Piçarra, Maria; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA); Universidade Estadual de Maringá
Através da análise do caso de censura a Catembe pretendo evidenciar como a ditadura portuguesa pretendeu controlar totalmente a projecção cinematográfica do colonialismo considerado, após o início da guerra colonial, em 1961, um sustentáculo do regime e condição essencial da portugalidade e de uma ideia sobre o “modo português de estar no mundo”. Contextualizo o surgimento da Censura após a Revolução de Maio de 1926, caracterizando a sua aplicação ao cinema e particularizando como foi instrumentalizada pela “Política do Espírito”. Identifico, depois, as principais orientações com base nas quais os censores exerceram a sua função e descrevo a importância do cinema para projectar a nação e uma ideia de portugalidade que assentou que era seu desígnio a posse de colónias. Finalmente, sintetizo as mudanças no modelo colonial antes de aprofundar o estudo de caso em análise. Through the analysis of the censorship of Catembe, I intend to show how the Portuguese dictatorship sought to fully control the cinematographic projection of colonialism, considered, after the beginning of the colonial war in 1961, a mainstay of the regime and an essential condition of Portugal and of an idea about the "Portuguese way of being in the world". I contextualize the emergence of censorship after the May Revolution of 1926, characterizing its application to cinema and particularizing how it was instrumentalized by the "Politics of the Spirit". I then identify the main guidelines on the basis of which the censors exercised their function and describe the importance of cinema to project the nation and an idea of Portugueseness that established that it was their purpose to possess colonies as a historical right. Finally, I summarize the changes in the colonial model before going deeper into the case study under analysis.
Mise en abîme
Publication . Piçarra, Maria do Carmo; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA); OberCom - Observatorio da Comunicação
Neste ensaio apoio-me na análise intermedial de filmes coloniais portugueses para reflectir sobre como o uso de mapas no cinema serviu ideologicamente a propaganda ao colonialismo português e como esse uso perdurou nos cinemas de libertação e pós-independências mas também como as mascaradas indígenas, fixadas e projectadas pelo seu exotismo ou como sintomas da menoridade cultural dos povos não ocidentais, paradoxalmente foram modos de resistência cultural enquanto serviram também o desejo de empoderamento, simbólico, dos seus actores. Começo por reflectir sobre como a análise intermedial pode contribuir para revalorizar o conhecimento sobre culturas não ocidentais e ultrapassar o pensamento abissal, que se mantém dominante. Problematizo a exploração cinematográfica do exotismo em mascaradas propondo algumas questões sobre a representação do homem branco nas “dramatizações” indígenas. Através da análise de algumas sequências de filmes coloniais evidencio a mise en âbime criada, involuntariamente, pela projecção que o colonizador branco fez das mascaradas: ao usar a tecnologia – também cinematográfica – para afirmar o poder de contar a história e mostrar o suposto primitivismo das culturas colonizadas, projectou também a sua imagem satirizada e desempoderada quando encarnada pelos supostos primitivos. Adicionalmente, questiono como se processou e ainda processa o uso de mapas nos filmes (pós)coloniais. In this essay I rely on the intermedial analysis of Portuguese coloniao films to reflect on how the use of maps ideologically served the propaganda to Portuguese colonialism through cinema, remaining uncriticized, but also as the indigenous masquerades, filmed and projected by their exoticism or as symptoms of the cultural minority of non-western peoples, paradoxically were modes of cultural resistance while also serving a desire for the symbolic empowerment of its actors. I begin by reflecting on how intermedial approach can contribute to overcoming abyssal thinking, which remains dominant. I problematize the cinematic exploration of exoticism in masquerades by proposing some questions about the representation of white men in indigenous “dramatizations”. Through the analysis of some sequences of colonial films, I highlight the mise en âbime created, involuntarily, by the white colonizer's projection of masquerades: by using the technology - also cinematic - to affirm his power to tell the story and to show the supposed primitivism of the colonized cultures, he also projected its image satirized and disempowered when embodied by the supposed primitives. Additionally, I question how the use of maps has been and still is processed in (post)colonial films
Mulheres nas descolonizações
Publication . Piçarra, Maria do Carmo; Pereira, Ana Cristina; Barreiros, Inês da Silva Beleza; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA); ICNOVA – Instituto de Comunicação da Nova
Este número da RCL nasce de uma interrogação inicial e iniciática: onde estão as mulheres nas descolonizações? Desdobra-se depois em interrogações mais específicas: Como é que as mulheres olharam as lutas de libertação, nas ex-colónias portuguesas? Como é que os seus pontos de vista foram integrados ou não na imaginação do colonialismo? Houve um olhar específico das mulheres sobre a libertação do colonialismo português? Que saber e consciência temos de/sobre esses olhares? E como é que esses olhares se cruzam com os das realizadoras, artistas, curadoras e académicas que hoje questionam os arquivos, públicos e privados, interrogam e recriam visualmente as suas memórias e re-imaginam o colonialismo? Que ação é que a investigação académica, as políticas de conservação de arquivos, os gestos de programação e curadoria podem ter no questionamento ou, pelo contrário, no prolongamento das “políticas (oficiais) da memória”? Durante o processo, no entanto, fomos acolhendo propostas que dilataram o escopo estritamente temático (e até geográfico) do número, mas que responderam à proposta de reflexão sobre os “modos de ver e de saber” das mulheres em processos de descolonização, passados e presentes, e a uma inquietação das editoras: como estão as mulheres – através da sua prática académica, teórica e/ou artística – a responder à viragem decolonial?
Catembe — O Filme Como Corpo de Delito
Publication . Piçarra, Maria Carmo; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA)
Uma conversa com o realizador Manuel Faria de Almeida. Filmado em 1965 em situação colonial, Catembe é um documentário de ficção sobre o quotidiano de Lourenço Marques (atual Maputo) realizado por Manuel Faria de Almeida.
Governar a memória da revolução
Publication . Piçarra, Maria Carmo; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA)
Que farei eu com esta espada? realizado, em 1975, por João César Monteiro mostra como a Revolução de 25 de Abril de 1974 é ameaçada pela interferência de potências estrangeiras. Nas docas do rio Tejo, os navios da NATO são como Nosferatu que desembarca trazendo a peste consigo. Visionário, Monteiro aflora, já então, o “medo de existir” (GIL, 2007), e a negação em processar a história de ex-império. Sintomático do “medo de existir” e deste modo de governar a memória é que vários filmes proibidos pela ditadura tenham permanecido com acesso limitado estando em risco, devido à falta de preservação. Outro sintoma é a falta de debate em torno de “imagens-clarão” reveladoras – como sucedeu com 48, de Susana de Sousa Dias. As imagens de um certo cinema da e sobre a revolução e a ditadura em Portugal têm que ser resgatadas da invisibilidade a que têm estado sujeitas, no âmbito de um modo de “governar a memória” que passou – continua a passar? – pela obliteração de memórias para construir uma projeção nacional em que ecoa uma “ordem do discurso” (FOUCAULT, 1997) definida e propagandeada durante o Estado Novo. Uma “ética do visível” exige a recu- peração de todas as memórias e tem implicações políticas. Recuperar essas imagens-montagem (DIDI-HUBERMAN, 2012) é fundamental para a inteligibilidade das mesmas e para desconstruir uma projeção nacional feita com base em memórias governadas por uma agenda política.

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Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Programa de financiamento

DL 57/2016

Número da atribuição

DL 57/2016/CP1453/CT0088

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