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Projeto de investigação
AS IMAGENS PROÍBIDAS - A CENSURA DE CINEMA DURANTE O ESTADO NOVO
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Introdução
Publication . Piçarra, Maria do Carmo; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA); OberCom - Observatorio da Comunicação
Entre internacionalismo e moçambicanização
Publication . Piçarra, Maria Carmo; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA)
O I Festival da Canção e da Música Tradicional de Moçambique mostrou, em Maputo, a diversidade cultural e o que de mais representativo da música e danças tradicionais existia no novo país. A luta que culminou na independência assu- miu então a necessidade de afirmação da nação através da promoção de uma identidade comum. O cinema foi usado para projetar a nova nação moçambi- cana. Porém, se, por via dos ministérios com estas tutelas, a educação e cultura integraram o internacionalismo então em voga, sendo que o próprio festival foi inspirado no Festival Panafricano de Argel, a informação investiu na moçam- bicanização do cinema nacional. Através da análise das duas longas-metragens documentais – Música, Moçambique! (Fonseca e Costa, 1981), encomendada pela Direção de Cultura, e Canta meu irmão, ajuda-me a cantar (José Cardoso, 1982), produção do Instituto Nacional de Cinema (INC) – que registaram o Festival e os seus bastidores, assim como das suas condições e modos de produ- ção, analiso as diferenças nas estratégias usadas. The 1st Mozambican Song and Traditional Music Festival showed, in Maputo, the cultural diversity and the most representative traditional music and dances of Mozambique. After the independence struggle, there was a need to affirm the nation by promoting a common identity. Cinema was one of the means used to project the new nation. However, if, through the ministries with these tutelages, education and culture integrated the internationalism then in vogue – the Festival itself was inspired by the Pan African Festival of Algiers –, information 44 MARIA DO CARMO PIÇARRA invested in the Mozambicanisation of national cinema. Through the analysis of the two documentaries – Música, Mozambique! (Fonseca e Costa, 1981), commissioned by the Directorate of Culture, and Canta meu irmão, ajuda-me a cantar (José Cardoso, 1982), produced by the National Film Institute (INC) – which recorded the Festival and its backstage, as well as its conditions and modes of production, I analyse the differences in the strategies used.
Representações filmadas da “Ásia portuguesa”
Publication . Piçarra, Maria Carmo; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA); scielopt
A filmografia portuguesa relativa ao Oriente português durante o Estado Novo é escassa, tardia e projeta uma retórica simplificada luso-tropicalista, que foi atualizando o mito da importância perdida de um território, outrora vasto, mas que durante a ditadura era já pequeno, impondo-se sobretudo pelo valor simbólico subjacente à sua posse. Proponho que a escassez de filmes sobre a Índia portuguesa, Timor e Macau decorre deste valor simbólico da comunidade imaginada (e território), que se projetava mais por omissão do que através da representação imagética. No entanto, com a emergência da questão de Goa e com o início da guerra colonial, o Oriente português passa a ser filmado como decorrência de um discurso luso-orientalista que pretendia, contra as evidências, sedimentar a ideia da unidade nacional “do Minho a Timor”.
Governar a memória da revolução
Publication . Piçarra, Maria Carmo; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA)
Que farei eu com esta espada? realizado, em 1975, por João César Monteiro mostra como a Revolução de 25 de Abril de 1974 é ameaçada pela interferência de potências estrangeiras. Nas docas do rio Tejo, os navios da NATO são como Nosferatu que desembarca trazendo a peste consigo. Visionário, Monteiro aflora, já então, o “medo de existir” (GIL, 2007), e a negação em processar a história de ex-império. Sintomático do “medo de existir” e deste modo de governar a memória é que vários filmes proibidos pela ditadura tenham permanecido com acesso limitado estando em risco, devido à falta de preservação. Outro sintoma é a falta de debate em torno de “imagens-clarão” reveladoras – como sucedeu com 48, de Susana de Sousa Dias. As imagens de um certo cinema da e sobre a revolução e a ditadura em Portugal têm que ser resgatadas da invisibilidade a que têm estado sujeitas, no âmbito de um modo de “governar a memória” que passou – continua a passar? – pela obliteração de memórias para construir uma projeção nacional em que ecoa uma “ordem do discurso” (FOUCAULT, 1997) definida e propagandeada durante o Estado Novo. Uma “ética do visível” exige a recu- peração de todas as memórias e tem implicações políticas. Recuperar essas imagens-montagem (DIDI-HUBERMAN, 2012) é fundamental para a inteligibilidade das mesmas e para desconstruir uma projeção nacional feita com base em memórias governadas por uma agenda política.
Mise en abîme
Publication . Piçarra, Maria do Carmo; Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA); OberCom - Observatorio da Comunicação
Neste ensaio apoio-me na análise intermedial de filmes coloniais portugueses para reflectir sobre como o uso de mapas no cinema serviu ideologicamente a propaganda ao colonialismo português e como esse uso perdurou nos cinemas de libertação e pós-independências mas também como as mascaradas indígenas, fixadas e projectadas pelo seu exotismo ou como sintomas da menoridade cultural dos povos não ocidentais, paradoxalmente foram modos de resistência cultural enquanto serviram também o desejo de empoderamento, simbólico, dos seus actores. Começo por reflectir sobre como a análise intermedial pode contribuir para revalorizar o conhecimento sobre culturas não ocidentais e ultrapassar o pensamento abissal, que se mantém dominante. Problematizo a exploração cinematográfica do exotismo em mascaradas propondo algumas questões sobre a representação do homem branco nas “dramatizações” indígenas. Através da análise de algumas sequências de filmes coloniais evidencio a mise en âbime criada, involuntariamente, pela projecção que o colonizador branco fez das mascaradas: ao usar a tecnologia – também cinematográfica – para afirmar o poder de contar a história e mostrar o suposto primitivismo das culturas colonizadas, projectou também a sua imagem satirizada e desempoderada quando encarnada pelos supostos primitivos. Adicionalmente, questiono como se processou e ainda processa o uso de mapas nos filmes (pós)coloniais. In this essay I rely on the intermedial analysis of Portuguese coloniao films to reflect on how the use of maps ideologically served the propaganda to Portuguese colonialism through cinema, remaining uncriticized, but also as the indigenous masquerades, filmed and projected by their exoticism or as symptoms of the cultural minority of non-western peoples, paradoxically were modes of cultural resistance while also serving a desire for the symbolic empowerment of its actors. I begin by reflecting on how intermedial approach can contribute to overcoming abyssal thinking, which remains dominant. I problematize the cinematic exploration of exoticism in masquerades by proposing some questions about the representation of white men in indigenous “dramatizations”. Through the analysis of some sequences of colonial films, I highlight the mise en âbime created, involuntarily, by the white colonizer's projection of masquerades: by using the technology - also cinematic - to affirm his power to tell the story and to show the supposed primitivism of the colonized cultures, he also projected its image satirized and disempowered when embodied by the supposed primitives. Additionally, I question how the use of maps has been and still is processed in (post)colonial films
Unidades organizacionais
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Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
Número da atribuição
SFRH/BPD/66609/2009
