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Imagens de Poder: Animais exóticos na cultura de corte em Portugal no Renascimento
Publication . Simões, Catarina Anselmo Santana; Buescu, Ana Isabel
No início do período moderno, a exploração da costa africana pelos europeus e o estabelecimento de rotas marítimas directas entre a Europa, a Ásia e a América conduziram a um incremento do consumo de mercadorias e produtos extra-europeus, que se tornaram num importante elemento do quotidiano nos ambientes cortesãos. Entre estes, os animais exóticos contavam-se entre os que eram cultural e politicamente mais relevantes. O envolvimento pioneiro da Coroa portuguesa no processo da Expansão europeia e no estabelecimento de redes de comércio, influência e poder imperial garantia-lhe um acesso privilegiado a estes animais exóticos, que os monarcas de Avis depressa incorporaram nas suas estratégias de propaganda política e na construção das suas imagens de poder pessoal e dinástico. Os animais extra-europeus vivos e os seus subprodutos eram uma parte significativa das mercadorias de origem natural que eram importadas, sendo, por isso, essenciais para o contacto europeu com as realidades naturais extra-europeias, e para a construção do conhecimento sobre a natureza. Mas para além de mercadorias transacionáveis e objectos de conhecimento, estes animais também eram mantidos em cativeiro em ménageries reais e exibidos em cerimónias públicas, onde funcionavam como símbolos de poder imperial e monárquico; e circulando entre diversas cortes no contexto de uma “economia da dádiva”, mediavam relações diplomáticas e políticas entre soberanos, transpondo por vezes fronteiras culturais, religiosas e civilizacionais. O importante papel que animais selvagens extra-europeus desempenharam na construção da memória política dos monarcas portugueses dos séculos XV e XVI deve ser compreendido no quadro de uma tradição antiga e medieval, em que a reunião deste tipo de animais, a sua exibição pública, e o seu uso como presentes diplomáticos eram práticas universalmente identificadas com o exercício da soberania. Para além de evidenciarem o controlo humano sobre o mundo natural, estas práticas também sinalizavam o controlo dos soberanos sobre populações e territórios, em particular em contextos imperiais. Na corte portuguesa do Renascimento, o seu significado político era evidente, remetendo directamente para os projectos e pretensões imperiais da Coroa, e garantindo-lhe um papel como mediadora no acesso de outras cortes europeias a alguns destes animais, como elefantes e rinocerontes. Estas práticas também se encontravam relacionadas com a forma como a natureza extra-europeia, e em particular os animais, eram percepcionados. Cada animal podia evocar múltiplas associações e significados, que justificavam a sua apropriação como um símbolo de identidade. Assim, os animais exóticos desempenhavam uma função cultural crucial na percepção e representação europeia do mundo extra-europeu; mas podiam, também, funcionar como emblemas de qualidades, virtudes e vícios humanos. Esta tese tem como objectivo analisar a utilização política destes animais à luz das múltiplas funções que desempenhavam e dos diversos significados que encerravam, procurando interagir com algumas questões centrais da historiografia mais recente que se debruça sobre as relações entre humanos e animais não-humanos. Neste sentido, é importante referir que as percepções sobre estes animais e a sua instrumentalização por parte dos humanos, eram não raras vezes influenciadas e condicionadas pelas interacções directas que se estabeleciam, questão que não deve ser descurada.
The Symbolic Importance of the “Exotic” in the Portuguese Court in the Late Middle Ages
Publication . Simões, Catarina Anselmo Santana; CHAM - Centro de Humanidades; Universidad Complutense de Madrid
This paper aims at presenting the work in progress of our PhD thesis, entitled Images of Power. The “exotic” in the Portuguese Court in the Renaissance. It is generally accepted by the historiography that the Portuguese court seems to have been characterized by less complex and sophisticated forms of representation when compared to the French, Italian or Burgundian courts, which were undeniably more formal and refined. Our dissertation intends to evaluate the accuracy of this perspective. For this, we will focus on the importance of the “exotic” in ceremonial and politically relevant moments for the Portuguese monarchy. We will start by analysing the presence of African and Asian animals, products and objects in gift-giving practices and in political and ceremonial rituals –such as weddings, parades and banquets– of the Portuguese Monarchy in the 15th and 16th centuries. The figures of Henry the Navigator and Kings John II and Manuel I will be particularly emphasized as figures of transition, who used these “exotic” elements as an intrinsically medieval form of symbolic representation. The famous embassy sent by Manuel I to the Pope Leo X in 1514, which included the Indian elephant Hanno, is the most ostentatious and significant episode, but other examples will be addressed. It is important to mention that this subject will be studied in close comparison to a broader European cultural context. However, instead of adopting the 17th century Kunstkammern of the Habsburgs as a term of comparison, we will look at previous practices of gift-giving and consumption, since we can identify a use of non-European animals as living heraldry and signs of power, ever since the Arab Abbassid Caliph Harun al-Rashid sent and elephant to Charlemagne. The main purpose of this paper is, thus, to underline the presence of “exotic” elements in the Portuguese court in the 15th and 16th centuries as part of a medieval cultural phenomenon, as opposed to an exclusively early modern tendency.

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Fundação para a Ciência e a Tecnologia

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SFRH

Número da atribuição

SFRH/BD/84622/2012

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