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Carbon monoxide modulation of glial cells on cytoprotection
Publication . Pedroso, Daniela Patrícia Martins Dias; Vieira, Helena L. A.; Lopes, Susana Santos
RESUMO: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das maiores causas de mortalidade e morbidade,
ligada a dano cerebral, em todo o mundo. O AVC isquémico ocorre quando a circulação
sanguínea é interrompida, reduzindo os níveis de oxigénio e nutrientes no tecido cerebral.
Após o restabelecimento da corrente sanguínea, o tecido volta a sofrer dano, devido ao
aumento do stress oxidativo. Esta patologia é caracterizada pela presença de stress oxidativo,
inflamação excessiva, excitotoxicidade e, por fim, morte celular. Apesar de existirem terapias
disponíveis, estas terapias não estão focadas no tratamento do tecido cerebral e apresentam
limitações ao nível da sua eficácia e no curto espaço de tempo em que a sua aplicação é
eficiente. Desta forma, o desenvolvimento de novos tratamentos para a isquemia cerebral é
necessário e urgente. Esta tese pretende se focar nas células da glia, de forma a promover a
proteção cerebral, limitando a neuro-inflamação e a morte celular.
Disfunções do sistema nervoso central (SNC) são comummente consideradas como um
problema neuronal. No entanto, as células da glia estão envolvidas na resposta ao stress e a
mecanismos de neuroprotecção; a prevenção da disfunção glial protege o tecido cerebral, em
última análise, contribui para a recuperação do paciente. As células da glia, como por exemplo
os astrócitos e a microglia, representam a maioria das células presente no cérebro. Estas
células são cruciais para a homeostase cerebral, tendo importantes funções no
desenvolvimento e plasticidade sináptica, na resposta inflamatória, suporte metabólico e
sobrevivência neuronal. Os astrócitos têm importantes funções na modulação e maturação
sináptica, suporte metabólico e proteção neuronal contra stress oxidativo e excitotoxicidade.
Uma vez que estão em contante fiscalização do seu microambiente e em contante
comunicação com as células que os rodeiam, os astrócitos são considerados células altamente
sensitivas, capazes de avaliar o meio e atuar rapidamente de forma a garantir a homeostase e
plasticidade do SNC. Por outro lado, a microglia é a população fagocítica e imunocompetente
no SNC, responsável pela resposta inflamatória. Apesar da eficaz resposta inflamatória, após
infeção ou dano, ser decisiva para preservar o funcionamento do SNC, uma resposta
inflamatória prolongada ou exacerbada é uma característica de várias doenças do SNC,
nomeadamente isquemia cerebral. Assim, esta tese pretende contribuir para o
desenvolvimento de abordagens terapêuticas (i) que melhorem a sensitividade dos astrócitos
em relação ao seu microambiente e (ii) que limitem a resposta inflamatória da microglia,
promovendo a homeostase do SNC no contexto desta doença.
O monóxido de carbono (CO) é um gás endógeno que resulta da degradação de grupos heme
pela enzima heme oxigenase. O CO é descrito na literatura como anti-inflamatório, anti apoptótico e capaz de modular o metabolismo celular. Tratamento com doses baixas de CO ou
promoção de produção de CO endógeno limita a morte celular e neuro-inflamação in culturas
de neurónios, astrócitos e microglia, assim como em modelos in vivo de AVC e isquemia
cerebral neonatal. Ainda assim, os parceiros moleculares do CO ainda não estão
completamente descritos. O estudo destes parceiros nos mecanismos protetores do CO irá
permitir um estudo mais aprofundado no papel biológico deste gás, podendo levar ao
desenvolvimento de melhoradas terapias baseadas no CO, em particular para a isquemia
cerebral. Assim, esta tese tem como objetivo entender com maior profundidade os mecanismos
moleculares de proteção promovida pelo CO, em células da glia. O capítulo I introduz
informação publicada relacionada com as células da glia e CO, assim como os seus parceiros
Neuroglobina (Ngb) e cílios primários. O capítulo II tem como objetivo perceber o papel da
Neuroglobina (Ngb) no efeito anti-inflamatório do CO, na microglia, avaliando a relevância da
Ngb da modulação do metabolismo, promovida pelo CO. O capítulo III pretende avaliar a
capacidade do CO de modular os cílios primários de astrócitos, organelos estes que permitem
a fiscalização do microambiente pelas células. Estes dados são posteriormente discutidos no
capítulo IV, sendo também discutidas questões não respondidas por estes resultados e
experiências futuras. Por fim, como anexo, o capítulo V apresenta dados que dizem respeito a
um manuscrito técnico, em preparação, relacionado com de Novo lipogénese. Este manuscrito
foi desenvolvido em colaboração, no âmbito da avaliação da modulação pelo CO do
metabolismo microglial.
Unidades organizacionais
Descrição
Palavras-chave
Contribuidores
Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
3599-PPCDT
Número da atribuição
PTDC/MEC-NEU/28750/2017
