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Biofortificação em Zinco Aplicada ao Setor Vitivinícola
Publication . Daccak, Diana Freire; Lidon, Fernando; Silva, Maria Manuela; Carvalho, Nuno
O zinco (Zn) é um mineral essencial para diversos processos fisiológicos do organismo, estando presente
em diversas enzimas, e nos seis tipos de classes existentes, com ação catabólica, reguladora e estrutural.
O défice em Zn, pode levar a diversos problemas de saúde humana, nomeadamente a inibição do cres-
cimento e desenvolvimento, disfunções cognitivas e sistema imunitário fragilizado. Consequentemente,
a biofortificação agronómica tem surgido como uma alternativa para mitigar este défice nas culturas
alimentares, incrementando o teor do elemento mineral pretendido nas partes edíveis das plantas. O
vinho é amplamente consumido mundialmente, tendo um papel relevante na economia portuguesa, ocu-
pando, em 2020, a 11ª posição no consumo mundial de vinho. A nível económico, as exportações de
vinhos, em 2020, contribuíram com 856,2 milhões de euros, correspondentes a cerca de 1,6% do total
das exportações nacionais. Neste enquadramento, este estudo tem como principal objetivo a conceção e
implementação de um itinerário técnico de biofortificação agronómica em Zn de uva, com o intuito de
proceder à vinificação, desenvolvendo-se assim um novo produto para introdução no mercado nacional
e internacional. O ensaio experimental foi realizado em três anos consecutivos em Vitis vinífera L. (Sy-
rah, Castelão, Moscatel e Fernão Pires), em campos localizados na região de Palmela (Portugal), nas
quais foram aplicadas três a quatro pulverizações foliares de ZnO ou ZnSO4 ao longo do ciclo produtivo
(após a floração), com concentrações entre 150 a 1350 g.ha-1. Em complementaridade com a quantifi-
cação de Zn, foi efetuada a monitorização de fatores edafoclimáticos, ecofisiológicos e de qualidade,
que possam ter implicações no vinho. Visando a otimização do ensaio experimental, no último ano, o
itinerário consistiu em quatro pulverizações foliares de ZnSO4 ou ZnO (em fileiras distintas) na concen-
tração de 1350 g.ha-1. Esta escolha foi impulsionada pelos resultados semelhantes com ambos os ferti-
lizantes (nos anos precedentes) e, maioritariamente, com uma eficiência superior com a concentração
mais alta, sem evidenciar efeitos adversos na produção de fotoassimilados e, consequentemente, no vi-
gor das plantas. Neste âmbito, obtiveram-se incrementos na uva e no vinho, maioritariamente entre 1,1
e 4,3 vezes, relativamente aos teores controlo, verificando-se a existência de variabilidade entre a efici-
ência de ambos os fertilizantes de Zn na mesma casta e entre castas. Tal, evidenciou a influência da
variabilidade natural das videiras, dos fatores edafoclimáticos de cada ano e da técnica experimental adotada. Ademais, observou-se a nível tecidular uma distribuição heterogénea do Zn na uva, acumu-
lando-se maioritariamente na grainha face à película. A par do aumento de Zn, prevaleceu a ausência de
interações antagónicas em diversos elementos minerais, i.e., Ca, K, Fe, S e P (sendo inclusivamente
observadas relações sinérgicas). Considerando os parâmetros de qualidade (peso seco, cor, teor de sóli-
dos solúveis totais, açúcares solúveis e ácidos gordos), admite-se que embora existam ligeiras variações,
estas não sugerem um impacto negativo, realçando-se os teores de sólidos solúveis totais, que indicam
uma tendência de aumento nas amostras biofortificadas em Zn, podendo ser vantajoso para a vinificação.
Por outro lado, no que concerne às características reológicas e sensoriais, importa referir que a bioforti-
ficação em Zn demonstrou efeitos positivos nalgumas características sensoriais da uva e do vinho, as-
peto que eventualmente poderá até favorecer a aceitabilidade pelo consumidor. Assim, o itinerário téc-
nico proposto, sugere que a biofortificação em Zn poderá constituir uma técnica relevante para incre-
mento do teor em Zn na uva e no vinho, com ambos os fertilizantes (ZnO e ZnSO4), obtendo-se um
produto com valor acrescentado, e com potencialidades funcionais, para a introdução no mercado naci-
onal e internacional.
Foliar Spraying with ZnSO4 or ZnO of Vitis vinifera cv. Syrah Increases the Synthesis of Photoassimilates and Favors Winemaking
Publication . Daccak, Diana; Marques, Ana Coelho; Pessoa, Cláudia Campos; Coelho, Ana Rita F.; Luís, Inês Carmo; Brito, Graça; Kullberg, José Carlos; Ramalho, José C.; Rodrigues, Ana Paula; Scotti-Campos, Paula; Pais, Isabel P.; Semedo, José N.; Silva, Maria Manuela; Legoinha, Paulo; Galhano, Carlos; Simões, Manuela; Reboredo, Fernando H.; Lidon, Fernando C.; DCT - Departamento de Ciências da Terra; GeoBioTec - Geobiociências, Geoengenharias e Geotecnologias; MDPI - Multidisciplinary Digital Publishing Institute
Zinc enrichment of edible food products, through the soil and/or foliar application of fertilizers, is a strategy that can increase the contents of some nutrients, namely Zn. In this context, a workflow for agronomic enrichment with zinc was carried out on irrigated Vitis vinifera cv. Syrah, aiming to evaluate the mobilization of photoassimilates to the winegrapes and the consequences of this for winemaking. During three productive cycles, foliar applications were performed with ZnSO4 or ZnO, at concentrations ranging between 150 and 1350 g.ha−1. The normal vegetation index as well as some photosynthetic parameters indicated that the threshold of Zn toxicity was not reached; it is even worth noting that with ZnSO4, a significant increase in several cases was observed in net photosynthesis (Pn). At harvest, Zn biofortification reached a 1.2 to 2.3-fold increase with ZnSO4 and ZnO, respectively (being significant relative to the control, in two consecutive years, with ZnO at a concentration of 1350 g.ha−1). Total soluble sugars revealed higher values with grapes submitted to ZnSO4 and ZnO foliar applications, which can be advantageous for winemaking. It was concluded that foliar spraying was efficient with ZnO and ZnSO4, showing potential benefits for wine quality without evidencing negative impacts.
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2023.01847.BDANA
