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Projeto de investigação

Joalharia da Casa Real Portuguesa 1777-1889: uma periferia subversiva.

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O impacto da herança da rainha de Espanha D. Maria Bárbara de Bragança (1711-1758) nas joias da Casa Real portuguesa
Publication . Teixeira, João Júlio Rumsey; Instituto de História da Arte (IHA); Universidad Autónoma de Madrid, Facultad de Filosofía y Letras, Instituto Universitario La Corte en Europa
A rainha de Espanha D. Maria Bárbara de Bragança era irmã dos reis de Portugal D. José e D. Pedro III. A partir do trono espanhol testemunhou a devastação do terramoto de Lisboa em 1755, que a terá angustiado sobre os destinos da sua família de origem. Cinco meses depois da catástrofe, lavrou o seu testamento fazendo generosíssimos legados em joias à geração mais nova da família real portuguesa e, sobretudo, ao irmão mais novo que tornou seu herdeiro universal. Desta forma, o infante D. Pedro, futuro rei D. Pedro III de Portugal, herdou um conjunto de joalharia a todos os títulos notável. Igualmente excecional é o facto de, ainda hoje, se conservarem quatro joias de grande qualidade, provenientes da herança de D. Maria Bárbara, no espólio de joalharia da antiga Coroa portuguesa, agora expostas no Museu do Tesouro Real, em Lisboa. The queen of Spain Maria Bárbara of Bragança was sister of two Portuguese kings, José and Pedro III. From the Spanish throne she witnessed the devastation of the Lisbon earthquake of 1755, which would have worried her about the future of her family of origin. Five months after the catastrophe she drew up her will, making very generous jewellery bequests to the younger generation of the Portuguese royal family and, above all, to the younger brother who became her universal heir. In this way, infante Pedro, future consort king of Portugal, Pedro III, inherited a remarkable collection of jewellery. Equally exceptional is the fact that four magnificent jewels once part of the inheritance of Maria Bárbara were preserved at the Portuguese crown jewels and reached our days. They are now on display at the Royal Treasure Museum in Lisbon.
Joalharia na Casa Real Portuguesa, 1777-1889: uma periferia subversiva
Publication . Teixeira, João Júlio Rumsey Evangelista Nunes; Curvelo, Alexandra; Xavier, Hugo
Este trabalho apresenta a história da joalharia na casa real portuguesa entre o auge da extração de diamantes no Brasil, durante o reinado de D. Maria I e o esgotamento do fundo diamantífero da Coroa portuguesa, no reinado do seu trineto, D. Luís. Partindo do estado da arte, visa preencher a lacuna de um estudo sistemático, crítico e tecnicamente informado. Articulando o exame pericial das peças existentes com a análise da documentação, procura-se a compreensão das escolhas materiais, estéticas e técnicas da joalharia régia, enquadrando-as historicamente. Desta forma, permite-se a interpretação das dimensões artística e material das obras com as circunstâncias políticas, económicas e culturais que moldaram a sua criação, uso, transformação e, muitas vezes, alienação. Ao procurar monopolizar a venda de diamantes à Europa durante a segunda metade de setecentos, a Coroa portuguesa viu-se num lugar atipicamente central no circuito material de uma das principais artes de então, a joalharia. Nos reinados de D. Maria I e D. João VI, mas com claras repercussões nas gerações seguintes, a opulência das joias reais portuguesas ultrapassou a usual ostentação diplomática ou a pura vaidade, tornando-se numa importante questão política. Afirmando-se como “árbitro de todos os diamantes do Brasil”, o rei de Portugal devia comprovar, pelos usos e gosto da sua casa e corte, como a relevância portuguesa nesta arte ia além de mero intermediário de pedras em bruto. No pouco mais de um século abordado, a história das joias reais acompanha as muitas mudanças políticas e sociais, desde a transferência temporária do poder régio para o Brasil, as guerras napoleónicas e civil, até às tentativas de modernização do país e consolidação do regime constitucional depois de 1834. Estruturada cronologicamente e de acordo com as propriedades das joias abordadas – da Coroa ou dos acervos particulares – procura-se estabelecer narrativas e cronologias ancoradas na mais atenta leitura da documentação, com especial atenção às fontes primárias. Desta forma, é possível confirmar ou rebater atribuições de autorias, desfazer mitos persistentes, ou propor novas leituras sobre a circulação de matérias-primas e a seleção das modas a adotar pela corte de Lisboa, espelho das consecutivas estratégias de representação régia. Entre as inúmeras mudanças de contexto, a transição para o sistema constitucional foi das que mais se repercutiu na gestão dos escrínios de joalharia real, sobretudo porque a descentralizou. A diminuição do poder do rei sobre as joias da Coroa e, ainda mais, das que circulavam nas esferas privadas dos membros da família real, teve impactos notáveis na dimensão e qualidade dos acervos. Complementar à das joias da Coroa, a história das aquisições, transformações e dispersões dos acervos particulares de joalharia revela continuidades e disrupções de usos e de gosto que procuraram, também, camuflar a decadência financeira da casa real portuguesa oitocentista e as muitas tensões entre os seus membros. De facto, na sucessão de ações e intenções sobre as joias reais, revela-se o primordial apreço da cúpula cortesã portuguesa por esta expressão artística, bem como se vislumbram as entranhas do poder e o pensamento dos seus principais atores.

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Contribuidores

Financiadores

Entidade financiadora

Fundação para a Ciência e a Tecnologia

Programa de financiamento

OE

Número da atribuição

2021.04880.BD

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