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A reinvenção da doçaria portuguesa na era do património global: produzindo doces, identidades e patrimónios
Publication . Mestre, Inês Alexandra Teixeira; Leal, João
Esta investigação centra-se no atual processo de reinvenção da doçaria portuguesa. Em particular, analisa o modo como alguns doces e práticas associadas estão a ser usados para criar reivindicações de identidade de património nas escalas local, regional e nacional em Portugal. Embora estes usos não sejam recentes, podemos hoje observar tentativas de afirmar essas ligações de uma forma mais explícita, nomeadamente através do recurso a vários instrumentos institucionais, incluindo transnacionais. Encarados em muitos casos simultaneamente como meios de afirmação cultural e recursos para o desenvolvimento local, alguns doces vêm, através de vários passos complexos, sendo adequados a uma economia global muito competitiva, onde a singularidade e a diferença dominam. Desta forma, sofrem mudanças materiais, sociais e simbólicas. Este processo provoca também uma releitura das suas histórias e dos territórios aos quais eles são associados.
Este trabalho investiga algumas das transformações que estão a ocorrer, situando-as no contexto da recente expansão do turismo em Portugal e da intensificação de alguns receios sentidos com os avanços da globalização e do neoliberalismo, como a gradual homogeneização e industrialização da alimentação, o turismo de massas, os altos níveis de migrações ou a crescente multiculturalidade das sociedades.
A investigação desdobra-se em três eixos principais. Por um lado, compreende a identificação e análise de algumas tematizações históricas produzidas sobre a doçaria portuguesa e, em particular, o modo como ideias de tradição e património foram entendidas e usadas ao longo do tempo. Por outro lado, com base em pesquisa
etnográfica realizada em Portugal, procura examinar alguns discursos e práticas públicas atuais dominantes da doçaria como património culinário nacional. A pesquisa inclui ainda um estudo de caso sobre um doce local e regional, os ovos moles de Aveiro, que conheceram um recente processo de patrimonialização, tendo em 2009
sido designados como “Indicação Geográfica Protegida” pela União Europeia. A investigação explora sobretudo: o modo como os doces são usados para marcar as fronteiras entre o que é interno e o que é exterior; como é que as tradições estão a ser reinventadas tendo em vista a revitalização social e económica das comunidades; a problemática de designar uma comida como património particular e original de uma
cultura e território.
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Financiadores
Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
OE
Número da atribuição
PD/BD/52268/2013
