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Projeto de investigação
Da Cidade Imperial à Cidade Episcopal. A evolução dos espaços de poder em Viseu entre os séculos IV a XI
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Da Cidade Imperial à Cidade Episcopal. As transformações urbanas de Viseu entre os séculos VI a XI
Publication . Meira, Catarina Barradas; Tente, Catarina; Vigil-Escalera Guirado, Alfonso
A presente tese de doutoramento foca o estudo da cidade de Viseu e das transformações que a malha urbana sofreu entre os séculos IV e XI. Este trabalho foi desenvolvido com base em informação arqueológica proveniente de onze locais intervencionados no âmbito da arqueologia preventiva levada a cabo nos últimos 33 anos no centro histórico viseense. O estudo integrou os espólios recolhidos na Rua das Ameias/Praça D. Duarte, intervencionado entre 1988 e 1991, que se tratou de uma janela de observação privilegiada para clarificar as questões relativas às sequências ocupacionais do morro da cidade. Procurou saber se, naquele local, o antigo forum romano deu ou não origem ao complexo episcopal suevo-visigodo ou que outros edifícios e espaços ocupara aquele lugar central da cidade romana. A investigação tentou ainda reconstituir o traçado na muralha construída nos finais do século III e definir de que forma se articularam os espaços religiosos e funerários que se encontravam extramuros. Os resultados obtidos demonstram uma cidade que se foi transformando, mas onde as muralhas tardias continuaram a ser um elemento delimitador e estruturante da urbe. A malha urbana ficou marcada, neste período, por uma série de espaços que se vinculam com o poder que a Igreja assumiu quando a cidade se tornou sede episcopal pelo menos desde a segunda metade do século VI. As estruturas arqueológicas identificadas na Rua das Ameias podem não corresponder ao complexo episcopal dessa época, ainda que certamente o mesmo se deveria localizar nesta área central da cidade. Pelo facto de não haver dados muito precisos, não se pode descartar a hipótese de o edifício reconhecido na Rua das Ameias poder corresponder a um edifício, eventualmente religioso de época posterior, tendo em conta os materiais arqueológicos aí exumados e a sua relação espacial com as quatro sepulturas identificadas na Praça D. Duarte, datadas do século XI. Poderá datar da mesma época a construção de outras capelas situadas no exterior das muralhas, em redor das quais se documenta a existência de necrópoles cristãs, que se formaram mais ou menos no mesmo local ocupado anteriormente pelas necrópoles alto-imperiais. Os dados alcançados pela análise dos espólios referidos e pelos testemunhos reconhecidos pela arqueologia urbana são ainda limitados para o período que sucede o século VII. Não foram, até ao momento, identificadas estruturas ou materiais arqueológicos que se possam relacionar com um domínio político-administrativo efetivo por parte de autoridades muçulmanas entre os séculos VIII e X. Tal poderá dever-se à manutenção de uma certa autonomia política das elites viseenses face à esfera do poder islâmico. A atual informação indica que a estrutura eclesiástica cristã terá sobrevivido até ao século XI, mesmo que, em determinadas alturas, os seus bispos possam ter estado ausentes da cidade. A coleção artefactual analisada revela que a cerâmica das fases posteriores ao século VIII encontra fortes vínculos com a estabilização da fronteira cristã no Mondego e com os reinos do norte da Península Ibérica. Revela também cerâmicas de produção e distribuição local/regional pautadas com um repertório formal mais reduzido do que os dos séculos precedentes. A localização da cidade de Viseu no centro-norte português concedeu-lhe uma importância geoestratégica considerável, tanto no século X quando se torna capital do reino que viria mais tarde a ser o Condado Portucalense, como quando a corte dos condes D. Henrique e D. Teresa aí se fixa nos inícios do século XII,
perfilando-se definitivamente como cidade condal.
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Fundação para a Ciência e a Tecnologia
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Número da atribuição
SFRH/BD/118391/2016
