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Projeto de investigação
Ideias Políticas em Tempo de Mudança. História de Raiz e Utopia 1977-1981
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Ideias Políticas em Tempo de Mudança. História de Raiz e Utopia (1977-1981)
Publication . Ramalho, Tiago Rego; Neves, José Manuel Viegas
Entre meados dos anos de 1970 e inícios dos anos de 1980, Portugal conheceu um período de grandes transformações políticas, do fim do Estado Novo e da Revolução de Abril à aproximação à CEE. O presente estudo contribui para a análise do período examinando a revista Raiz e Utopia, publicação editada entre 1977 e 1981 e que deu expressão a tendências político-ideológicas diversas (algumas de raiz conservadora, outras afins ao princípio da utopia) e a uma pluralidade de géneros textuais (do ensaísmo político às análises das ciências sociais). Críticos do que consideravam ser a integração de Portugal no quadro da «civilização organizacional ou burocrática», as três individualidades que fundaram Raiz e Utopia visavam um conhecimento introspetivo da raiz tendo no horizonte a proclamação de uma utopia radical que não queriam ver ancorada em qualquer tipo de fundo ideológico. Esta intenção, de resto, mostrava-se afim ao facto de o projeto editorial em questão ter sido determinado pelo exercício de uma vontade menos programática do que crítica – com base no diagnóstico de uma «crise da civilização». Raiz e Utopia produziu um discurso crítico de uma «civilização organizacional ou burocrática» na qual Portugal estaria na eminência de se integrar e na qual ganharam expressão uma série de assuntos específicos. Entre estes estão a agricultura biológica, a homossexualidade ou o sistema prisional, que surgem como aspetos constitutivos da crítica ecológica e da tecnologia, assim como da problematização da marginalidade social. Estas questões pouco haviam interpelado as principais culturas políticas do século XX português, do salazarismo ao antifascismo, mas confrontavam tanto os modelos de liberalismo vigentes a Ocidente como os modelos de socialismo vigentes na Europa do Leste. Os assuntos e questões referidas mobilizavam determinadas sensibilidades políticas e culturais, algumas de pendor mais tradicionalista, outras de pendor mais libertário. Tal facto verificou-se numa diversidade de que são exemplo a convivência na revista de autores tão distintos como o arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles e o poeta e ensaísta Alberto Pimenta. Ao mesmo tempo, em relação com aquelas questões e em associação a estas sensibilidades, a revista igualmente constituiu um terreno fértil à expressão de saberes disciplinares até então pouco presentes no panorama intelectual português, dos estudos sobre tecnologia aos estudos de género, passando pela antropologia social. Identificando as temáticas abordadas pela revista e analisando a linguagem e os conceitos por ela veiculados, procuraremos desenvolver uma história que compreenda as ideias políticas à margem da sua fixação doutrinária e transversalmente às modalidades discursivas específicas a cada género.
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Fundação para a Ciência e a Tecnologia
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Número da atribuição
SFRH/BD/116159/2016
