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Projeto de investigação
A LISBOA INDUSTRIAL NO FINAL DO SÉCULO XIX 1890-1900
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"Ser fadista é maior que ser cantor": Intersubjectividade, voz e o ethos da memória
Publication . Losa, Leonor Duarte Patacas de Areia; Castelo-Branco, Salwa El-Shawan; Silva, Maria Cardeira da
A presente tese é uma proposta de reflexão etnográfica a partir de um momento da vida do fadista e músico Ricardo Ribeiro. Fundamentada em trabalho de terreno realizado entre 2013 e 2016, a aproximação biográfica que aqui se propõe configura um modo de olhar, desenvolvendo-se de forma episódica e não seguindo o telos orientador. Seguindo as diferentes trajectórias de Ricardo e premiando todas as dimensões da sua voz, propõe-se um olhar multidimensional e polifónico para o momento cultural e político actual. Nascido em 1981, a experiência e vida de Ricardo Ribeiro foram intersectadas por particularidades do seu momento histórico e dialogam com as dinâmicas da trajectória democrática, das práticas culturais, das formas de imaginação histórica e cultural, e de aproximação ao momento actual. De modo mais localizado, Ricardo atravessa anos de importantes transformações no fado tendo em conta as suas sociabilidades, economias, dimensões institucionais, orientação social, posicionamento na indústria fonográfica, papel nas políticas alargadas da cultura e configuração musical. Encontrando-se numa encruzilhada de mudança geracional, o seu trabalho caracteriza-se por um lado, por um forte sentido de enraizamento na tradição do fado e, por outro, pela exploração de novos caminhos criativos e sonoridades dentro e à margem do fado, trazendo importantes contributos reflexivos ao binómio tradição/ inovação. Esta tese lida em particular com as formas de imaginação musical da prática de Ricardo e do fado que convocam uma geografia imaginada mediterrânica, compreendendo-a na articulação entre a criatividade e regimes discursivos alargados. Uma abordagem da reflexividade dos músicos no que concerne a tradição revela-se como o terreno de exploração. Vista a partir da prática, a tradição inscreve nuances que contrariam e acrescentam às visões teóricas do conceito, nomeadamente aquelas que descrevem formas de produção de historicidade e os modos de relação com os aparatos da modernidade. Partindo do trabalho que mantém em colaboração com o compositor e alaudista libanês Rabih Abou-Khalil, é possível aceder a um discurso de filiação a um ideário de tradição que contempla a inovação como meio de manutenção das práticas culturalmente construídas, uma visão que premeia a agentividade, a subjectividade e intersubjectividade. Neste quadro, a memória surge como elemento central nas aproximações às possibilidades expressivas. O recurso à memória como modo de conhecimento intrínseco da prática por um lado- que descrevo como ethos da memória- e a uma ‘memória imaginada’ como modo de localizar o fado no seio de uma história genealógica da nação, são pilares discursivos criando condições de inovação. Procurando compreender o sujeito na sua dimensão ontológica e localizada, esta tese lida com as dinâmicas intersubjectivas que o formam, particularmente os processos relacionais e dialécticos de construção da subjectividade: a relação com os outros; a relação com a estruturas sociais alargadas; a relação com o que o universo do fado estabelece com tradição; e a relação com a diferença cultural, na proposta de reactualização do paradigma cosmopolita em direcção ao que entendo como empatia cultural.
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Entidade financiadora
Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Programa de financiamento
OE
Número da atribuição
SFRH/BD/84489/2012
