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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Alonso Quijano, fidalgo manchego, nasceu num lugar de cujo nome
não quis o seu autor lembrar-se.
Convém, porém, que se diga que o famoso fidalgo nasceu, viveu,
amou e aventurou por terras de Castela. Sabe-se que foi, antes de mais,
leitor empedemido de livros de cavalarias e que, ao longo dessas leituras,
se apoderou do modelo do cavaleiro andante e se pôs a imitar os
que melhor conhecia. Duvidou entre Amadis e Palmeirim, mas no fim
decidiu-se pelo primeiro sem, no entanto, deixar de seguir também o
outro - e outros, como o Furioso Orlando do italiano Ariosto ou o
Blanc Tirant do valenciano Joan de Martorell.
Assim, por vontade própria se fez cavaleiro andante e, por vontade
própria, se chamou Dom Quixote.
Nesta paixão apropriadora, mal sabia o fidalgo manchego de que
modo - tantos e vários - seria ele, passando o tempo, convertido num
dos mais fascinantes objectos de apropriação para outros leitores, em
muito a ele semelhantes.
E um certo modo de apropriação da figura de Dom Quixote o que
nesta comunicação pretendo destacar tratando de enfocá-lo nas propostas
destes Encontros.
Descrição
pp. 187-199
