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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
O ano de 2015 ficou inevitavelmente marcado pela importância e popularidade históricas da discussão das questões ambientais, com o culminar da temática das alterações climáticas na COP 21, em dezembro. A Comunicação de Ciência passou a representar uma prioridade, destacando-se nos discursos dos políticos e nas medidas de estímulo anunciadas até ao final de 2016 pelo Governo português. E a COP22, realizada em novembro, apresentou-se como a “Conferência da Ação”, onde a mudança de comportamentos dos cidadãos e a educação estiveram entre os principais tópicos de discussão para responder ao Acordo de Paris.
Porque o sucesso da luta contra as alterações climáticas dependerá da implementação da causa ambiental nos valores sociais e culturais mais profundos do povo, é objetivo desta dissertação estudar a forma como os atores que constroem o discurso se relacionam e elaboram a perceção social de risco, um dos principais mecanismos que leva à mudança de comportamentos. Para isso é analisada a forma como comunicação social, esfera pública e agenda política se relacionam entre si na construção da realidade ambiental.
Através de um eixo condutor, ambicionou-se enquadrar os pressupostos da COP 21 e das alterações climáticas ao longo do tempo, analisando a problemática da objetividade do discurso científico, da cobertura mediática, do processo de perceção e formação de opinião e esfera públicas na construção da agenda política. É aberto caminho para uma reflexão sobre a construção social da realidade, com importantes consequências na abordagem social das questões científicas, na comunicação de ciência e na formulação de planos de ação para cumprir os objetivos propostos em Paris.
A metodologia utilizada para a realização do objetivo segue uma corrente construtivista e está dividida em duas partes: o Quadro Teórico conceptual e o Quadro Operatório. O primeiro faz o enquadramento da temática, enquanto que o segundo permitiu identificar os fatores que influenciaram a cobertura mediática da Conferência em Paris, entre os dias 14 de novembro e 27 de dezembro de 2015.
A partir da análise da cobertura feita em cada país, do tipo de meio de transmissão, do público-alvo e do sistema onde se insere a indústria da comunicação social, fatores de influência estudados, destaca-se a profunda subjetividade levada a cabo pelos media, na cobertura da Conferencia de Paris.
A partir dos resultados foi possível concluir que a realidade é, na sua essência uma construção que se reflete em múltiplas dimensões, o que permite concluir que: 1) o tipo de cobertura mediática influencia a forma como o cidadão perceciona as alterações climáticas que, por sua vez, pressiona a agenda política a tomar decisões; 2) as escolhas e interesse do público também influenciam diretamente os conteúdos e a forma de cobertura adotada pelos media, definidos os temas de interesse da agenda política; 3) a esfera pública pressiona a agenda política a tomar decisões; mas é também influenciada por ela visto que a comunicação social sofre pressões e influência do sistema político na escolha e tipo de cobertura dos temas.
Ao entender e tomar consciência deste processo de múltiplas interações, é possível adequar as estratégias de modo a que resultem numa melhor gestão das políticas públicas e consequente sucesso na implementação de medidas de combate às alterações climáticas e cumprimento dos objetivos propostos pelo Acordo de Paris.
Em Paris, definiu-se o que fazer mas não como fazer. Um ano depois, em Marraquexe, estados de todo o mundo reuniram-se novamente para apresentar como os setores nacionais da sociedade (setor privado e industrial, sociedade civil, sistemas de governância) pretendem combater o Aquecimento Global e responder às metas delineadas no Acordo de Paris.
Este trabalho permitiu concluir que, com uma maior e melhor consciência de comunicação, é possível estimular a participação pública assim como o espírito crítico e literacia na temática do aquecimento global, o que permitirá que as massas sejam mais recetivas e ativas quanto às políticas pedidas ou exigidas e contribuam ativamente durante o processo, com resultados mais duradouros e efetivos.
Descrição
Palavras-chave
alterações climáticas COP 21 Media Política ambiental Esfera pública Perceção de risco
