Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10362/20030
Título: Devant les miroirs de Pistoletto. Art et vie spéculaires
Autor: Nazaré, Maria Leonor Leal da
Orientador: Saison, Maryvonne
Palavras-chave: Espelho
Especular
Duplo
Reflexão
Profundidade
Moldura
Participação
Labirinto
Origem
Miroir
Spéculaire
Double
Réflexion
Profondeur
Cadre
Participation
Labyrinthe
Origine
Mirror
Specular
Double
Reflection
Depth
Frame
Participation
Labyrinth
Michelangelo Pistoletto
Data de Defesa: 1997
Resumo: A obra de Michelangelo Pistoletto expõe a própria ideia de espelho, propondo ao mesmo tempo dispositivos especulares no seu trabalho e um meta-discurso sobre a arte enquanto espelho. O seu trabalho conduziu-nos a pensar sobre outras situações de arte contemporânea, ou apenas artísticas em geral. Que reflectem as obras? Como é que reflectem? Apercebemo-nos rapidamente de que a qualidade de “reflectir” no seu duplo sentido, é reconduzível a uma só, por entre tantas outras qualidades dos espelhos e das obras como espelho. Torna-se então necessário substituir aquelas duas perguntas por duas outras: o que fazem as obras quando funcionam como espelhos? E como é que o fazem? Para além de “reflectir” (em francês seriam duas palavras diferentes: “refléter” e “réfléchir”) e para além da sua qualidade reflectora, dão-nos a ver outras qualidades: mnésicas, simbólicas, narrativas, geométricas, algébricas, interpeladoras, reveladoras, auto-reflexivas e meta-discursivas. Chamámos a esse conjunto qualidades especulares das obras (“qualités miroiriques”: em francês o termo é pedido de empréstimo a Duchamp): qualidades do espelho, todas elas. Analisámos o seu funcionamento nas obras, com o auxílio das de Pistoletto e mantendo a preocupação de as pensar a partir de um observador que delas usufrui. A metáfora corrente que pretende que a arte reflecte a vida guiou-nos na convicção de que um objecto ou uma experiência artística só existem para o receptor quando lhes reenviam imagens e possibilidades de si mesmo e do seu mundo; de que a experiência do duplo é menos uma experiência de reprodução do que uma experiência que o alimenta de si próprio. As múltiplas qualidades especulares das obras equivalem ao seu potencial mobilizador; elas conduziram-nos a procurar as formas de vitalidade que se desenham no interior dessa mobilização; ou seja, a retomar o debate, que pareceria esgotado, sobre as relações entre a arte e a vida. Um debate que só nos interessou na medida em que o ponto de vista das qualidades especulares desloca o seu paradigma dual: aquele em que se perfilam as oposições viciadas subjectivo / objectivo, expressionismo / inexpressionismo, expressão / empenho social, contemplação / participação, coisas / imagens, bidimensional / tridimensional, autonomia / utilidade, formalista / referencial, e outras próximas destas. Não há arte em que a vida não esteja inscrita. O que varia são os pontos de vista, as leituras e o tipo de “vida” que se procura ou se denega nela. A obra de Pistoletto fornece-nos exemplos eloquentes. A selecção que fizemos inclui obras tão díspares como objectos, acções ou textos escritos. A sua obra escrita é informativa, literária, programática e plástica, o que não deixa de colocar alguns problemas à abordagem interpretativa. As revelações trazidas pelos seus espelhos literais e metafóricos remetem ainda para as questões da moldura, da pintura, da representação, do sujeito, do auto-reconhecimento e da participação na obra.
L’œuvre de Michelangelo Pistoletto expose l’idée même de miroir, en proposant à la fois des dispositifs miroiriques dans son travail et un méta discours sur l’art en tant que miroir. J'ai cru y trouver l’occasion de me poser des questions sur son œuvre qui peuvent peut-être servir à penser d'autres situations d'art contemporain, ou d'art tout court. Que reflètent les œuvres? Comment le reflètent-elles? En essayant de répondre à ces deux questions, on s'aperçoit vite que la qualité de refléter ou de réfléchir n'en est qu'une, parmi d'autres qualités des miroirs, et des œuvres en tant que miroirs. Il faut alors remplacer ces questions par deux autres: Que font les œuvres quand elles fonctionnent comme des miroirs? Et comment? Ce qu'elles font, outre réfléchir et refléter, outre leur qualité réfléchissante, nous montre leurs autres qualités: mnésiques, symboliques, narratives, géométriques, algébriques, interpellatrices, révélatrices, auto réflexives et méta-discursives. J'aimerais appeler cet ensemble « les qualités miroiriques», pour emprunter un terme à Duchamp , puisqu' elles concernent les qualités du miroir. J'ai cru pouvoir analyser leur fonctionnement dans les œuvres, à l’appui de celles de Pistoletto, et en gardant le souci de les rapporter à un récepteur qui en jouit. Je suis donc allée à la recherche de cette métaphore courante qui prétend que l’art reflète la vie dans la conviction qu'un objet ou une expérience artistiques n'existent pour ce récepteur que quand ils lui renvoient des images et des possibilités de lui-même et de son monde; et ceci dans la conviction que, par exemple, son expérience du double est moins une expérience de reproduction qu'une expérience qui le nourrit de lui-même. Les qualités miroiriques multiples des œuvres équivalent à leur potentiel mobilisateur; elles m'ont amenée à rechercher les formes de vitalité qui se dessinent à l’intérieur de cette mobilisation. Autrement dit, à reprendre le débat, qui semblerait plutôt épuisé, sur les rapports entre l’art et la vie. Mais ce débat n'a pu m'intéresser que dans la mesure où le point de vue des qualités miroiriques déplaçait son paradigme duel: celui sur lequel se profilent des oppositions vicieuses comme subjectif/objectif, expressionnisme / inexpressionnisme, expression / engagement social, contemplation / participation, choses / images, bidimensionnel / tridimensionnel, autonomie / utilité, formaliste / référentiel et d'autres qui leur sont proches. Il n'y a pas d'art ou la vie ne soit pas inscrite; ce qui change sont les points de vue, les lectures et le genre de «vie» recherchée et / ou oblitérée. Comme on le verra, c'est encore l’œuvre de Pistoletto qui m'en a fourni les meilleurs prétextes. Celle-ci inclut des initiatives aussi disparates que des objets, des «actions» ou des textes écrits. Son œuvre écrite est à la fois informative, littéraire, programmatique et plastique, ce qui ne va pas sans poser quelques problèmes dans l’approche interprétative. Les révélations apportées par les miroirs littéraux et métaphoriques concernent aussi, entre autres, les problèmes de l’encadrement, de la peinture, de la représentation, du sujet, de l’auto-reconnaissance et de la participation à l’œuvre.
URI: http://hdl.handle.net/10362/20030
Aparece nas colecções:FCSH: DHA - Dissertações de Mestrado

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