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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Inscrito na área da Linguística do Texto e do Discurso e privilegiando o quadro
teórico-epistemológico do Interacionismo sociodiscursivo, o presente estudo centra-se
na descrição do género memórias, tendo em conta as dimensões extralinguística,
temático-estrutural, psicológico-discursiva e estilística do género.
Partindo da análise linguística dos textos memorialísticos produzidos em
atividades de linguagem distintas (Memórias da Minha Vida, João Azenha; As
Pequenas Memórias, José Saramago), a investigação é orientada por uma perspetiva
simultaneamente epistemológica e didática, tendo duas finalidades distintas: por um
lado, partindo da análise de textos singulares, contribui para a caracterização do género
memórias; por outro lado, através de uma metodologia baseada na investigação-ação,
visa criar vias de abordagem linguística dos textos memorialísticos e do género
memórias nas práticas escolares.
No que diz respeito a questões epistemológicas, parte-se do pressuposto de que
os textos são unidades comunicativas globais, produzidas de acordo com modelos préexistentes
(géneros de texto), no âmbito de atividades sociais, e defende-se que a
construção textual é um processo constituído por duas vertentes em interação – a
praxiológica e a gnosiológica. A primeira relaciona-se quer com as práticas
sociais/coletivas de linguagem, quer com as formas de ação de linguagem específicas,
materializadas nos textos; a segunda, com a capacidade que os textos têm de construir
conhecimento (e não apenas de o representar), através de operações psicológicodiscursivas
variadas. Ambas as vertentes se dão a conhecer textualmente por meio da
vertente linguística que, assim, passa a ser veículo de construção de conhecimento (e
não apenas da sua representação). A interação entre a vertente praxiológica e a vertente
gnosiológica dos textos é feita por meio de operações psicológico-discursivas específicas, designadas por Bronckart (1997, 2008a) como tipos de discurso (discurso
interativo, discurso teórico, relato interativo, narração). A configuração linguística dos
textos resulta da verbalização dessas operações, de ocorrência obrigatória (dado que
entram na composição de qualquer texto), em articulação com operações de ocorrência
opcional, determinadas pelos géneros de texto. No caso do género memórias, privilegiase
a ordem do narrar implicado (relato interativo), emoldurada pela ordem do expor
implicado (discurso interativo); estas duas ordens discursivas apresentam uma
configuração específica, que resulta de uma contingência genológica. Para além disso,
os tipos de discurso articulam-se ainda com operações de ocorrência opcional, que
ocorrem ao nível infraestrutural, planificando as operações de ocorrência obrigatória
(explicação, descrição, argumentação) e ao nível superficial (evocação, reformulação,
generalização, modalização).
Em relação a questões didáticas, aborda-se especificamente a questão da
transposição didática de géneros textuais, não perdendo de vista que os géneros
constituem pré-construídos histórico-culturais que, por um lado, têm um funcionamento
social específico e que, por outro lado, são objetos de saber passíveis de apropriação pelo
ser humano, em contextos de aprendizagem informal e formal. Nesse sentido, apresentase
uma proposta de didatização do género memórias (adequada ao 10.º ano de
escolaridade), baseada nos pressupostos teóricos explanados nos capítulos anteriores e
testada em trabalho de campo.
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do
grau de Doutor em Linguística
Palavras-chave
Género textual memórias Campo genológico autobiográfico Atividade literária Atividade familiar Didática de géneros textuais
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
