Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10362/9590
Título: A relação entre eficiência e efectividade : aplicação ao internamento por doença cerebrovascular
Autor: Lopes, Silvia da Silva
Orientador: Costa, Carlos
Data de Defesa: 2010
Editora: Universidade Nova de Lisboa. Escola Nacional de Saúde Pública
Resumo: RESUMO - Contexto: O estudo da relação entre eficiência e efectividade é relevante na investigação dos serviços de saúde, pois pretende-se conhecer os mecanismos que ligam os recursos investidos na prestação aos resultados em saúde experienciados pelos doentes e decorrentes desses mesmos cuidados. Os objectivos definidos para este trabalho consistiram, genericamente, no estudo da efectividade e da eficiência dos cuidados prestados em internamento a uma doença em particular – a doença cerebrovascular – e da relação entre ambas, tanto ao nível do episódio como do hospital. Pretendia-se ainda conhecer a consistência destes resultados, nomeadamente de que forma a relação entre efectividade e eficiência era influenciada pelas características dos hospitais. Metodologia: Foram seguidas duas abordagens: (1) conhecer o impacte dos diferentes níveis de recursos investidos no tratamento (eficiência medida pelos custos) sobre os resultados ao nível da mortalidade; (2) estimar o montante de recursos (medidos pelos custos) associados ao tratamento das complicações potencialmente evitáveis. A análise foi realizada para os episódios de internamento de doença cerebrovascular com alta no período 2005/07. Usou-se a informação da base de dados dos resumos de alta, da contabilidade analítica e da Matriz de Maryland. O estudo considerou medidas de resultados – mortalidade, complicações e custos – e o desempenho foi avaliado a partir da comparação entre os valores observados e esperados. Para o ajustamento pelo risco recorreu-se ao Disease Staging recalibrado aos dados em estudo. Na primeira abordagem usou-se a regressão logística: a mortalidade medida pela efectividade constituiu a variável dependente; a eficiência medida pelos custos, os atributos do hospital e o ano as independentes. O modelo foi também testado em subconjuntos da população. Ao nível do hospital, foram definidos quartis de desempenho na efectividade medida pela mortalidade, analisando-se o comportamento da eficiência medida pelos custos em cada um deles. Estudou-se ainda a análise da correlação entre medidas e os hospitais nos extremos do desempenho. Na segunda abordagem, procedeu-se à comparação entre os custos dos doentes com complicações e sem complicações em doentes de gravidade semelhante. A análise foi realizada para o conjunto de todas as complicações, por tipo de complicação e por hospital. Resultados: Os principais resultados encontrados quanto ao impacte dos diferentes níveis de recursos investidos no tratamento (eficiência medida pelos custos) sobre os resultados ao nível da mortalidade indicaram que, ao nível do episódio, não existia uma relação geral entre eficiência e efectividade, pois o uso de mais recursos traduzia-se quer em melhores quer em piores resultados na mortalidade, quer na ausência de efeito sobre os mesmos, com resultados consistentes ao longo dos anos em estudo. Ao nível do hospital, as conclusões foram consistentes com o encontrado ao nível do episódio – o comportamento dos prestadores na eficiência foi distinto e não acompanhou o que apresentaram na efectividade. Relativamente à estimativa dos custos adicionais decorrentes de complicações dos cuidados, o custo de tratamento dos doentes com complicações foi entre 2,2 a 2,8 vezes o valor dos doentes sem complicações. Estes resultados foram consistentes com a análise por tipo de complicação e por hospital. Foi ainda de assinalar a grande disparidade na frequência de complicações entre hospitais. Conclusão: Os resultados encontrados mostram a importância de uma gestão criteriosa dos recursos actuais e adicionais dedicados à prestação de cuidados de saúde, uma vez que em algumas situações se verifica que o seu acréscimo não se traduz numa melhoria dos resultados em saúde estudados. Sugerem ainda um conjunto de matérias que deverão ser alvo de investigação futura, para conhecer em maior profundidade os mecanismos da relação entre eficiência e efectividade e identificar as circunstâncias em que é possível prosseguir na melhoria quer da eficiência quer da efectividade.
ABSTRACT - Background: The relation between efficiency and effectiveness is relevant in health services research since it is intended to study the links between the resources used for healthcare and its outcomes. This work aimed to evaluate the efficiency and effectiveness of care delivered to patients admitted with cerebrovascular disease and the relation between them, both at the hospital and patient level. It was also intended to know the impact hospital characteristics had in determining that relation. Methods: Two approaches were followed – to know the impact the amount of resources used had in effectiveness (measured by mortality) and to estimate the additional cost incurred when complications of care exist. The population studied included inpatient episodes of cerebrovascular disease in the period 2005/07. Administrative data, accounting data and the Maryland matrix were used for that purpose. Since the study considered outcome measures – mortality, complications of care, costs – performance was evaluated comparing observed and expected values. Information from Disease Staging was recalibrated to the population selected for the study and used for risk adjustment. At the patient level, a logistic regression with effectiveness (mortality) as dependent variable was used. Independent variables were efficiency (cost), hospital characteristics and year of data. The same method was used to study patients treated in different groups of hospitals. At the patient level, correlation, quartiles and individual analysis of top / bottom performers were ran. For the second approach, costs of patients with / without complications were compared, for groups of similar severity. The same method was used for each of the most frequent types of complications and for each hospital, also for goups of similar severity. Results: At the patient level, there was no relation between efficiency and effectiveness since the use of more resources implied better, worse or had no effect in mortality outcomes for all years considered. At the hospital level, results were consistent: hospitals performed differently in efficiency and effectiveness and there was no identifiable pattern. As for additional costs of complications of care, it was 2,2 to 2,8 times higher for patients with complications, compared with patients without them. These results were consistent for all complications and hospitals studied. The differences in the frequency of complications per hospital were relevant. Conclusions: These results show the importance of a careful management of the funds used in healthcare, since in some cases the increase of costs didn’t mean that patients had better results in the outcomes studied. They also suggest some further studies, so that the links between efficiency and effectiveness can be known and the circumstances under which hospitals can improve both efficiency and effectiveness simultaneously are identified.
URI: http://hdl.handle.net/10362/9590
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