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Orientador(es)
Resumo(s)
Quando, a meados de 40, Gilbert Cohen-Séat veio distinguir, pela primeira vez, "filme" e "cinema", difícil seria prever a fortuna que tal partilha viria a ter nas décadas posteriores. De resto, nem o próprio filósofo se deve ter disso apercebido, já que à insubordinada violência do substantivo, preferiu a maior brandura
de uma simples função adjectiva: "fílmico" e "cinematográfico " passavam a designar, a qualificar e a
repartir, à boa maneira de Mareei Mauss, a desmesura e a deformidade desse "facto social to
tal" a que a teoria tinha até então chamado - quiçá impropriamente -, de cinema. Tratava-se, bem entendido, de "ordenar uma visão", de estilhaçar um objecto complexo numa multiplicidade de objectos mais simples, de regionalizar, à sombra da disciplina e do método, uma reflexão bem-pensante, higiénica e, passe o termo, "científica". Pela mão da Filmologia - tal era o nome dado a essa nova ordem da visão -,
o cinema passava a
sagrada porta
dos colégios universitários, para se instalar nas cadeiras dos
mestres (e não dos menores: Francastel, Souriau, Friedmann, mais
tarde, Morin) ,
nos currículos dos pupilos e em meticulosos e rígidos programas e sumários. A teoria mudava assim definitivamente te de mãos, de rostos e até de voz; quanto à famosa distinção,
conhecia, para já, um bem parco futuro: disseminada por um ou
outro texto, jamais chegou a definir completamente um princípio teórico que tanto ajudara a estabilizar. Foi preciso chegar ao início dos anos 70, para que Christian Metz (e Roland Barthes, como veremos) a viesse de novo remexer, e ainda aí, curiosamente, no contexto de emergência de uma nova disciplina universitária: a semiologia do cinema.
Descrição
Palavras-chave
Cinema
