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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
Esta investigação é um contributo para o estudo sobre como, durante o Estado Novo,
Portugal "imaginou" o modelo político colonial através do cinema e como este traduziu ou
"criticou" reconfigurações ideológicas. Nesse âmbito analiso as actualidades cinematográficas
de propaganda do regime Jornal Português (1938-50) e Imagens de Portugal (1953-70)
contrapondo-lhes três filmes de autor censurados: Catembe (1965), Esplendor selvagem (1972)
e Deixem-me ao menos subir às palmeiras... (1972).
Como é que as actualidades filmadas de propaganda olharam o "modo português de
estar no mundo"? E como é que esse olhar cinematográfico se (con)formou em função da
ideologia do regime? Por outro lado, quando emerge a geração do Novo Cinema, quais as
evidências da (im)possibilidade de um olhar disruptivo, quanto ao memorial fílmico constituído,
em obras de autor proibidas?
Esta proposta, que pretende reter um "clarão" do "homem imaginado" pelo cinema
produzido durante o Estado Novo, dispõe um campo/contracampo que faz imergir o imenso fora
de campo. Um "clarão" ilumina a amplitude do que não foi visto pelo cinema-olho accionado ou
por um programa político ou por uma sensibilidade de autor. Através de um exercício de
"conhecimento-montagem", recrio "imagens-clarão" analisando sequências-monádas e
propondo fragmentos dos debates sobre os filmes. Deixo, em aberto, leituras possíveis
resultantes da aproximação entre as imagens propostas pela propaganda e as imagens proibidas
pela mesma. Como se atraem e/ou se repelem? O "arquivo" que criei através da aproximação de
imagens é parcelar - por muitos sentidos que encerre e que simultaneamente abra em termos de
leituras possíveis.
Sustento que as imagens que olhei, analisei e que, assumindo uma postura ética, quis
resgatar da invisibilidade permitem accionar, através da rememoração e da (re)montagem, um
conhecimento do colonialismo português, do modo como foi "imaginado" pelo discurso político
e de como a ordem do discurso foi questionada a partir de imagens da própria propaganda que,
"apesar de tudo", irromperam da realidade escapando à conformação, e por uma "margem" que
emergiu no centro - "margem de certa maneira" que acciona o pensamento sobre a realidade
colonial.
Descrição
Tese apresentada para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de
Doutor em Ciências da Comunicação
Palavras-chave
Colonialismo Estado Novo Censura
Contexto Educativo
Citação
Editora
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa
