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Resumo(s)
A acção é uma das categorias aristotélicas. Mas Aristóteles distingue
poiein (produzir) de prattein (agir), diferenciando assim a ciência produtora
(poietike episteme) da ciência prática (praktike episteme). Poder-se-ia definir
a poética como a doutrina relativa a todo o fazer dotado de uma técnica,
contrapondo-a à noética, doutrina do pensamento ou da inteligência. No
entanto, poiein não tardou a ganhar o significado de criar, no sentido de
representar algo artisticamente. O poiein cria o poiéma. O acto ou processo
de tal criação é a poiésis.
Já Platão distinguia rigorosamente o saber (episteme) da opinião (doxa),
situando a opinião num terreno incerto limitado pelo conhecimento e pela
ignorância. A ciência parece exigir necessariamente uma armação lógico-
-racional de caracter estritamente epistémico. Mas, utilizando os termos lançados
por Windelband e reforçados por Tatarkiewicz, pode-se falar de ciências
nomotéticas e de ciências idiográficas. O pensar nomotético procura as
leis que regem os acontecimentos, tornando-os assim previsíveis. O pensar
idiográfico descreve acontecimentos (estados de coisas) e factos particulares
e esgota-se neles. A faculdade científica por excelência é a razão e o seu
instrumento é o conceito. O seu procedimento preferencial é a dedução. Mas
o conceito de razão está longe de ser unívoco. Já os gregos distinguiam o
nous da dianoia, diferenciação prolongada na distinção latina entre ratio e
intellectum, na inglesa entre reason e understanding, na alemã, definitivamente
estabelecida por Kant, entre Vemunft e Verstand. Kant faz da Verstand
a "faculdade" que lida com regras. Os objectos são pensados mediante o
entendimento e do entendimento nascem os conceitos. A razão {Vemunft)
tem um estatuto mais elevado: é uma "faculdade" superior do conhecimento,
"a faculdade que proporciona os elementos do conhecimento a priori".
