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Resumo(s)
A investigação que procurámos concretizar, insere-se num
dos domínios da antropologia do parentesco que tem
contribuído grandemente para o estudo das sociedades ditas
tradicionais : o campo das trocas matrimoniais .
Foi nosso objectivo analisar a forma como se processaram
as alianças matrimoniais , durante determinado período, numa
sociedade de montanha com características de relativo
isolamento geográfico.
0 local de investigação escolhido, foi a freguesia de
Cortes do Meio, uma formação social que ocupa um dos vales
de Serra da Estrela e que se divide em três núcleos aldeãos
descontínuos no espaço: Cortes de Baixo, Cortes do Meio e
Bouça .
Foi no espaço geográfico desta freguesia que tentámos evidenciar, por ura lado, as direccôes espaciais tomadas
pelas alianças matrimoniais realizadas entre 1810 e 1930,
por outro, determinar a categoria de parentes no seio da
qual se processaram, preferencialmente , determinado número
de casamentos. Procurámos também, perceber as correlações
aparentes entre a distância espacial dos lugares de
nascimento e a distancia do grau de parentesco, na escolha
do cônjuge ideal.
As alianças observadas numa estrutura complexa de
parentesco, típica das sociedades ocidentais, permitem
pensar que em Cortes do Meio a escolha do cônjuge é deixada
à iniciativa individual , obedecendo unicamente à lei da
proibição do incesto.
Mas, apesar dos sistemas complexos de parentesco serem
caracterizados por Lévi-Strauss (1982) pela ausência de
uniões preferenciais ou prescritivas , este autor colocou a
questão de saber se não existirá também, nestes sistemas,
certas regularidades deste tipo nas trocas matrimoniais . Ao
existirem, podem tornar-se manifestas, se observarmos um
número significativo de gerações de casamentos.
Descrição
Palavras-chave
Sociedade rural Demografia Cortes do Meio (conc. da Covilhã, Portugal) | Casamento Endogamia Exogamia
