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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
A caiação a cor (ou pintura a cal) foi, a par da caiação simples, o género de pintura mais
usado nos alçados exteriores das edificações portuguesas do sul de Portugal até cerca da
segunda metade do século XX. No Alentejo, subsistem vários exemplos de pinturas
monocromáticas ou com decoração de tipologia variada (ex. fingidos de pedras, tijolos,
azulejos, motivos vegetalistas, etc.).
Numa época em que é reconhecido o valor histórico deste tipo de superfícies pintadas e,
cada vez mais, se opta pela sua salvaguarda, torna-se urgente no âmbito da conservação e
restauro, a caracterização dos pigmentos inorgânicos utilizados (com destaque para os
pigmentos terra), das técnicas de preparação e de aplicação das tintas de cal e sua influência
na aparência das superfícies pintadas. Este foi objectivo principal desta pesquisa que se
desenvolveu em três fases. A primeira, levantamento em fontes históricas de dados técnicos
sobre a pintura a cal e da existência de matéria-prima para pintura em Portugal, do seu
processamento e escoamento em território nacional. A segunda, registo fotográfico, recolha
e estudo laboratorial dos pigmentos e das técnicas a cal presentes nas fachadas de edifícios
em 47 centros históricos alentejanos; identificação de terras coradas extraídas localmente
pelas populações, dos modos de extracção e de preparação para as caiações e, por último,
comparação da composição e propriedades ópticas das terras coradas locais com pigmentos
de origem industrial disponíveis ainda localmente. A terceira fase consistiu na análise
colorimétrica de reproduções de pinturas a cal e de barramentos pigmentados.
As técnicas de análise utilizadas foram a difractometria e de espectrometria de
fluorescência de raios-X (DRX, WD e ED-XRF), microquimica, espectroscopia de absorção
de infravermelho (FTIR), microscopia óptica (MO) e electrónica de varrimento (MEVEDX),
análise granulométrica com laser e ablação com laser, seguida de espectrometria de
massa com plasma indutivamente acoplado (LA-ICP-MS).
Através dos inventários da Real Academia das Ciências de Lisboa, catálogos de
Exposições Industriais, Manuais de Mineralogia e outros do final do século XVIII até à
segunda metade do século XX, são localizadas no continente, nas ilhas e nas ex-colónias
(e.g. Brasil e Angola) várias fontes de ocres e outros pigmentos inorgânicos (e.g. cinábrio,
azurite, malaquite). A lavra, o processamento e o escoamento destes materiais são
esclarecidos pelos processos de duas pedreiras de ocres e almagres e por indústrias
portuguesas de “terras corantes” da década de 40/50 do século XX. Na região do Alentejo, as terras coradas têm origem em terras rossas, em produtos de alteração de mineralizações
ricas em ferro e em xistos. Nos centros históricos, os pigmentos identificados foram, por
ordem decrescente de utilização, os pigmentos vermelhos e amarelos à base de Fe(III), os
pretos de natureza variada e o azul ultramarino artificial. A comparação entre os pigmentos
naturais e os sintéticos revela diferenças significativas na composição elementar e
mineralógica, bem como nas características físicas e ópticas. Os pigmentos foram
empregues em várias concentrações (sobretudo elevadas) e em leites preferencialmente
enriquecidos em cal. A observação estratigráfica das amostras revela que a técnica do fresco
e do mezzo-fresco foi também praticada. Para finalizar, a análise das reproduções feitas em
condições experimentais idênticas, mostra a influência do tipo de pigmento, da sua
concentração, do grau de diluição da tinta a cal e das técnicas de aplicação na cor e nos
atributos da aparência das superfícies pintadas. Revela igualmente que o grau de
atenuamento da cor pelo processo de carbonatação da cal é bastante variável.
Descrição
Palavras-chave
Arquitectura Pintura a cal Colorimetria Técnicas analíticas
